Clima aumenta cautela na safra catarinense
A safra de arroz em SC 2026/2027 começa com expectativa positiva, mas o El Niño pode pressionar a produtividade e a qualidade dos grãos. Segundo informações publicadas pela Campo & Negócios, o SindArroz-SC acompanha o início do plantio com atenção ao manejo da água, à sanidade das lavouras e aos efeitos do excesso de chuva.
O cenário interessa a produtores, indústrias, compradores e distribuidores. Afinal, Santa Catarina tem peso relevante na rizicultura nacional. De acordo com o SindArroz-SC, o estado responde por 15% do abastecimento nacional de arroz.
Para o Classifrutas, esse tipo de informação ajuda a leitura do mercado. Além disso, permite acompanhar como clima, oferta e qualidade podem influenciar negociações ao longo do ciclo.
Produtividade pode ficar abaixo da safra anterior
Na avaliação do presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, a nova safra tende a ser boa. No entanto, ela não deve repetir o desempenho excepcional observado em 2025/2026.
“Não tem como afirmar, neste momento, se a safra será boa ou ruim, mas acredito que será uma boa safra. Não deve ser como ocorreu em 2025/2026, que foi extraordinária. A expectativa é de uma safra normal, a menos que ocorram eventos como enchente, vento ou granizo. Ainda há muita incerteza sobre como o El Niño vai se comportar”, afirmou Walmir Rampinelli, presidente do SindArroz-SC, à Campo & Negócios.
A estimativa citada pela entidade indica possível redução de cerca de 10% na produtividade em comparação com o ciclo anterior. Portanto, o ponto central não é uma quebra já confirmada, mas o risco climático durante fases decisivas da lavoura.
El Niño pode afetar floração e sanidade
Segundo a reportagem, a Conab já apontava, em relatório de junho de 2026, possíveis efeitos negativos do El Niño sobre a produção de 2027. Além disso, a Epagri/Ciram indica que anos de El Niño costumam ter chuva mais frequente e acima da média em Santa Catarina, sobretudo na primavera.
Esse padrão preocupa porque o arroz irrigado depende de manejo fino da água. Por outro lado, excesso de umidade e baixa luminosidade podem favorecer doenças fúngicas, como a brusone.
Entre os pontos de atenção citados para o ciclo estão:
- manejo da água nas áreas de arroz irrigado;
- controle de arroz vermelho e plantas daninhas;
- monitoramento de fungos e outras doenças;
- manutenção de canais de drenagem;
- reforço de taipas e estruturas de escoamento.
Se as chuvas coincidirem com a floração, o risco aumenta. Nesse caso, pode haver prejuízo à polinização, com formação de grãos falhados e menor rendimento industrial.
Preços mostram recuperação no mercado
O mercado do arroz também mostra sinais de recuperação. Segundo o SindArroz-SC, o saco que chegou a ser negociado entre R$ 48 e R$ 50 durante a crise da safra 2025/2026 alcançou cerca de R$ 70 nas últimas semanas.
No entanto, a evolução dos preços ainda depende de fatores climáticos e comerciais. Caso o El Niño reduza a oferta, pode haver nova pressão de alta. Ainda assim, esse movimento não é garantido e pode variar conforme região, qualidade do produto e ritmo de demanda.
Qualidade do grão também entra no radar
Para as indústrias, o clima não afeta apenas volume. Ele também interfere na qualidade do arroz recebido para beneficiamento e classificação. Assim, grãos com menor rendimento podem alterar a dinâmica entre produtor, cerealista e comprador.
Esse ponto é importante para toda a cadeia. Afinal, a comercialização depende de oferta, padrão de qualidade e previsibilidade de entrega. Portanto, acompanhar boletins climáticos e dados oficiais será essencial para interpretar o mercado durante a safra.
O que observar nos próximos meses
A safra 2026/2027 de arroz em Santa Catarina começa com otimismo moderado. Porém, o clima segue como variável decisiva. A atenção deve se concentrar na primavera, no comportamento das chuvas e na fase de floração.
Para quem acompanha o setor pelo Classifrutas, os principais sinais de mercado serão:
- regularidade das chuvas nas regiões produtoras;
- ocorrência de enchentes, vento ou granizo;
- nível de pressão de doenças fúngicas;
- qualidade industrial do grão colhido;
- movimento dos preços no atacado e na origem.
Assim, a leitura mais prudente é de uma safra potencialmente positiva, mas ainda sujeita a ajustes. O avanço do plantio e os próximos relatórios oficiais devem trazer sinais mais claros sobre produtividade, oferta e preços.




