Safra recorde fortalece o azeite nacional
O Brasil produziu 1,434 milhão de litros de azeite extravirgem em 2026, segundo dados apresentados pelo Ibraoliva e divulgados pela Revista da Fruta. O resultado marca uma safra histórica para a olivicultura nacional. Além disso, reforça o peso do Rio Grande do Sul na oferta brasileira.
O avanço ocorre em um momento de maior atenção à origem, à qualidade e à competitividade do produto nacional. Portanto, a certificação de azeites gaúchos com o Selo Premium de Origem e Qualidade RS ganha relevância comercial. Para produtores, compradores e varejistas, o selo funciona como um indicativo adicional de rastreabilidade e padrão de qualidade.
Selo Premium reconhece qualidade e origem no RS
Em parceria com a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, o Ibraoliva certificou 26 produtores em 2026. Em média, quatro rótulos por produtor foram selecionados após análise técnica e sensorial.
Segundo a entidade, o Selo Premium considera critérios ligados à origem das azeitonas e à qualidade final do azeite. Entre os principais pontos avaliados estão:
- origem das azeitonas utilizadas na produção;
- características físico-químicas do azeite;
- qualidade sensorial do produto;
- acidez máxima de 0,3%, abaixo do limite de 0,8% da categoria extravirgem.
Esse padrão ajuda a diferenciar lotes no mercado. No entanto, a certificação não elimina a necessidade de atenção à procedência, ao armazenamento e à conservação do produto até a venda.
Não existe o milagre da multiplicação de azeites. São lotes únicos, lotes identificados. Quando a garrafa de azeite tiver o selo premium teremos a certeza de que ele foi testado e é um azeite premium.
Rio Grande do Sul lidera a olivicultura brasileira
O Rio Grande do Sul respondeu por 81% da colheita nacional de azeite em 2026, de acordo com o Ibraoliva. Além disso, o estado concentra cerca de 7,1 mil hectares de oliveiras. Esse volume representa aproximadamente 69% dos 10,3 mil hectares plantados no país.
Cotações e ofertas ligadas ao azeite brasileiro
A cadeia nacional reúne mais de 620 produtores e 77 lagares em operação. Ao todo, a olivicultura está presente em cerca de 280 municípios de oito estados. No RS, o Ibraoliva informa ter 390 olivicultores em aproximadamente 120 municípios.
Entre os polos gaúchos citados pela entidade estão Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé e Cachoeira do Sul. Por outro lado, a Serra da Mantiqueira, que envolve áreas de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, aparece como o segundo polo nacional. Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo também são vistos como estados promissores.
Produtividade pesa mais que expansão de área
O desempenho de 2026 chama atenção porque veio após duas safras afetadas pelo excesso de chuvas. Segundo a avaliação apresentada pelo Ibraoliva na 49ª Expointer, o salto produtivo não decorre apenas do aumento de área. Assim, manejo, adaptação ao clima, colheita e processamento ganharam protagonismo.
Essa leitura é importante para o mercado FLV e para canais de comercialização acompanhados pelo Classifrutas. Afinal, a oferta de azeite nacional depende tanto do clima quanto da capacidade de transformar azeitonas em lotes estáveis, rastreáveis e competitivos.
Acompanhar a oferta nacional de azeite no setor FLV
Entre os fatores que ajudam a explicar a evolução recente estão:
- melhor adaptação dos produtores às condições climáticas regionais;
- uso de novas tecnologias nos lagares;
- aprimoramento das etapas de colheita e processamento;
- maior articulação entre produtores, entidades e universidades.
Desafio para 2027 é reduzir oscilações
Apesar da safra recorde, o setor já trabalha com cautela para 2027. Com perspectiva de chuva na primavera gaúcha, o Ibraoliva avalia que a próxima safra pode ser menor. Portanto, a busca por estabilidade produtiva passa a ser uma prioridade estratégica.
Vamos ampliar a pesquisa para reduzir as oscilações na produção. Nós temos que acabar com essa montanha-russa e precisamos ter uma estabilidade produtiva.
Além disso, a entidade afirma que pretende fortalecer a relação com universidades, como a Universidade Federal de Santa Maria e a Universidade Federal de Pelotas. A meta é ampliar pesquisa aplicada e reduzir a dependência de variações climáticas extremas.
Mercado observa qualidade, escala e importados
Outro ponto de atenção é a concorrência com azeites importados. O Ibraoliva informou que seguirá acompanhando a fiscalização do Ministério da Agricultura sobre produtos estrangeiros. Em agosto de 2026, segundo a entidade, laudos apontaram marcas rotuladas como extravirgens que não atendiam aos padrões da categoria.
Esse contexto aumenta a importância da informação clara para compradores e consumidores. Além disso, reforça o papel de selos, rastreabilidade e controle de qualidade na construção de confiança. Para o varejo, a diferenciação por origem pode ajudar na organização do mix e na comunicação com o consumidor.
Negociações de azeite por origem e controle de qualidade
O setor também discute formas de ampliar escala. Segundo o Ibraoliva, ações de divulgação do consumo de azeite brasileiro e venda cooperativada entre marcas podem fortalecer a competitividade. Ainda assim, a evolução dependerá de regularidade produtiva, qualidade comprovada e maior presença nos canais de venda.
