El Niño amplia riscos para a olericultura brasileira
A Embrapa Hortaliças aponta que o El Niño aumenta riscos de calor extremo, chuvas intensas, déficit hídrico e pressão de pragas nas lavouras de hortaliças. O estudo propõe diretrizes para adaptar o cultivo e reduzir perdas produtivas.
Segundo os pesquisadores, a maioria das hortaliças consumidas no Brasil depende de temperaturas amenas, boa qualidade da água e estabilidade hídrica. Em geral, a faixa considerada adequada fica entre 18 ºC e 25 ºC.
No entanto, episódios de El Niño podem alterar esse equilíbrio. Assim, altas temperaturas elevam a evaporação e a demanda por irrigação. Além disso, chuvas volumosas podem causar encharcamento, prejudicar raízes e favorecer doenças fúngicas e bacterianas.
Principais impactos climáticos nas hortaliças
O levantamento da Embrapa relaciona o fenômeno climático a três grupos de risco. O primeiro envolve calor excessivo e maior demanda hídrica. O segundo está ligado à escassez de água e à salinização do solo. Já o terceiro envolve chuvas intensas, excesso hídrico e maior pressão fitossanitária.
Essas condições afetam diretamente o planejamento de produtores, compradores e distribuidores. Por isso, quem acompanha o mercado FLV pelo Classifrutas deve observar não apenas preço e oferta, mas também o comportamento climático nas regiões produtoras.
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Grupos de hortaliças mais vulneráveis
Como cada espécie tem exigências próprias de água e temperatura, os riscos não são iguais para todas as culturas. O estudo destacou vulnerabilidades específicas nos principais grupos de hortaliças.
- Solanáceas, como tomate, pimentão e batata, são sensíveis ao calor, que pode afetar florescimento e frutificação.
- Folhosas e brássicas, como alface, coentro, couve, brócolis e repolho, sofrem com exposição direta ao calor e à falta de água.
- Aliáceas, como alho e cebola, dependem de irrigação regular e são sensíveis a variações de temperatura.
- Raízes e tubérculos, como cenoura, beterraba e batata-doce, exigem estabilidade hídrica para formação adequada.
- Cucurbitáceas, como melão, melancia, pepino, abóbora e abobrinha, precisam de água uniforme durante o ciclo.
Seis eixos de adaptação indicados pela Embrapa
Para reduzir vulnerabilidades, os pesquisadores organizaram as respostas em seis frentes. Portanto, a adaptação não depende de uma ação isolada, mas de um conjunto de práticas ajustadas à realidade de cada região.
- Monitoramento constante do risco climático e das condições locais.
- Ajuste de calendário e genética, com épocas de plantio flexíveis e materiais adaptados.
- Manejo integrado de recursos, envolvendo água, solo e drenagem.
- Manejo microclimático, com proteção contra extremos térmicos.
- Manejo fitossanitário orientado ao risco, com atenção a pragas e doenças.
- Validação de tecnologias conservacionistas, como cultivo mínimo e Sistema de Plantio Direto de Hortaliças.
De acordo com o pesquisador Marcos Brandão Braga, a adoção dessas práticas representa uma mudança estrutural no modo de produzir hortaliças no Brasil.
“As recomendações propostas não devem ser enxergadas como uma opção pontual, mas sim como o início de uma transição na forma como se cultivam hortaliças no Brasil, por meio de sistemas mais resilientes e adaptados climaticamente”, afirma Marcos Brandão Braga, pesquisador da Embrapa Hortaliças.
Adaptação varia conforme a região
As diretrizes também mudam conforme o risco predominante em cada área produtora. No Norte e no Nordeste, o estudo destaca irrigação localizada e manejo da salinidade. Já no Sul, a atenção se volta ao encharcamento e às doenças associadas ao excesso de umidade.
No Centro-Oeste e no Sudeste, a Embrapa cita o uso de sensores de umidade, telas anti-insetos e cultivo protegido como alternativas tecnológicas. Além disso, práticas conservacionistas podem reduzir a temperatura na superfície do solo, ampliar infiltração de água e diminuir erosão.
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Resiliência vai além do El Niño
Os pesquisadores alertam que os desafios não se limitam a um episódio específico do El Niño. Afinal, calor, flutuação hídrica, alta radiação e pressão fitossanitária podem ocorrer de forma combinada.
Por isso, a resiliência da olericultura depende da integração entre genética adaptada, manejo eficiente da água, conservação do solo, drenagem, cultivo protegido e gestão fitossanitária. Para o setor FLV, esse acompanhamento é relevante porque ajuda a interpretar possíveis impactos sobre oferta, qualidade e regularidade de abastecimento.



