Produção alta, mas com margens sob pressão
A safra 2026/27 de soja e milho começa com perspectiva de produção elevada no Brasil, mas também com custos, clima e exportações no centro das atenções. Segundo estimativas da StoneX Brasil publicadas pela Campo & Negócios, a produção de soja pode chegar a 183,36 milhões de toneladas.
No milho primeira safra, a projeção é de 29,3 milhões de toneladas, alta de 2,4% sobre o ciclo 2025/26. No entanto, o desempenho final ainda depende do comportamento das chuvas, das temperaturas e das relações de troca com fertilizantes.
Para quem acompanha negociações agrícolas pelo Classifrutas, o cenário ajuda a entender pressões mais amplas do mercado. Afinal, grandes safras de grãos influenciam logística, custos de insumos e leitura de risco em diferentes cadeias do agro.
Principais números da safra
Os dados divulgados indicam oferta robusta, mas com pontos de atenção na rentabilidade. Além disso, o mercado acompanha os reflexos das exportações e dos estoques finais.
- Soja: 183,36 milhões de toneladas projetadas para 2026/27.
- Milho 1ª safra: 29,3 milhões de toneladas, alta de 2,4%.
- Milho 2ª safra 2025/26: 111 milhões de toneladas após revisão positiva.
- Milho 3ª safra: 1,78 milhão de toneladas, com expectativa de baixos rendimentos.
- Exportações de milho 2025/26: estimadas em 40 milhões de toneladas.
- Relação estoque/uso do milho: 20,85%.
- Importações de MAP: queda de 17% entre janeiro e agosto de 2026 ante 2025.
- Importações de ureia: recuo de 23% no mesmo período.
Clima segue como variável central
O plantio da soja avança com relativa normalidade nas principais regiões produtoras, segundo a StoneX. Portanto, a janela da segunda safra preocupa menos neste momento.
Cotações e ofertas ligadas à soja e ao milho
Ainda assim, o clima segue como fator decisivo. A atenção recai sobre a pluviometria, as temperaturas e os possíveis efeitos do El Niño, especialmente nos estados mais ao norte do país.
No milho primeira safra, o Rio Grande do Sul aparece como destaque. A expectativa combina expansão de área e potencial de boa produtividade, desde que as condições climáticas sigam favoráveis.
Exportações e estoques mudam a leitura do milho
No balanço de oferta e demanda, o milho apresenta um ponto sensível. A StoneX revisou para baixo a estimativa de exportações do ano-safra 2025/26, agora em 40 milhões de toneladas.
Com menor ritmo de embarques, os estoques finais tendem a ficar mais elevados. Por outro lado, isso pode reforçar a disponibilidade doméstica no primeiro semestre de 2027.
Esse movimento não representa, por si só, uma tendência definitiva de preços. Porém, indica que a demanda externa seguirá como variável importante para a formação do mercado.
Dados de mercado para acompanhar a demanda por milho
Fertilizantes pesam no custo de produção
Apesar da melhora recente nas relações de troca, os fertilizantes continuam no radar. Segundo a StoneX, os preços elevados e a instabilidade internacional reduziram o ritmo de compras de nitrogenados e fosfatados.
Entre janeiro e agosto de 2026, as importações brasileiras de MAP ficaram cerca de 17% abaixo do mesmo período de 2025. Já as importações de ureia recuaram aproximadamente 23%.
Além disso, as entregas de fertilizantes ao mercado entre janeiro e junho ficaram em torno de 5% abaixo do registrado um ano antes. Assim, parte dos produtores entra no ciclo com custos ainda pressionados.
Por que isso importa para o mercado agro
A soja e o milho não pertencem ao mercado FLV, mas influenciam o ambiente comercial do agronegócio. Isso ocorre por meio de fretes, armazenagem, crédito, insumos e percepção de risco.
Além disso, fertilizantes como MAP e ureia também fazem parte do planejamento de diferentes culturas. Portanto, mudanças nas compras e nos preços desses insumos podem afetar a leitura de custos em outras cadeias produtivas.
Acompanhamento de preços de MAP e ureia
Para produtores, compradores e distribuidores que acompanham o setor no Classifrutas, a notícia reforça a importância de observar o mercado de forma integrada. O comportamento dos grãos ajuda a contextualizar negociações e expectativas para os próximos meses.
Leitura para o início do ciclo
A safra 2026/27 começa com potencial produtivo elevado. No entanto, clima, fertilizantes, exportações e margens seguem como pontos de atenção.
Na soja, a projeção de safra recorde mantém o Brasil em posição relevante no comércio internacional. Já no milho, a combinação entre estoques maiores e exportações mais lentas exige acompanhamento próximo.
Assim, o novo ciclo une boas perspectivas de oferta e maior pressão sobre a rentabilidade. Essa combinação deve orientar a leitura de mercado ao longo dos próximos meses.
As informações deste artigo têm caráter informativo e podem variar conforme região, período e fonte consultada.



