Importação de trigo deve atingir maior nível em 30 anos
O Brasil pode importar 9 milhões de toneladas de trigo ou mais, segundo avaliação apresentada pela Abitrigo durante o 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo. O volume seria o maior dos últimos 30 anos e reflete a menor disponibilidade interna do cereal.
De acordo com a entidade, o cenário está ligado principalmente aos efeitos do clima sobre a produção nacional. Além disso, a qualidade do trigo argentino também entrou no radar da indústria, já que o país vizinho é um fornecedor relevante para o mercado brasileiro.
Para quem acompanha cadeias de abastecimento e negociações de alimentos pelo Classifrutas, o caso do trigo mostra como clima, oferta, importação e custos podem alterar rapidamente o equilíbrio entre produtores, moinhos, indústria e varejo.
Por que o Brasil deve importar mais trigo?
A necessidade de ampliar as compras externas aparece em um contexto de menor oferta doméstica. Portanto, a importação ganha peso para manter o abastecimento dos moinhos e atender à demanda da indústria alimentícia.
Entre os pontos destacados no evento, alguns fatores concentram a atenção do setor:
- menor disponibilidade interna de trigo por causa de problemas climáticos;
- risco de qualidade inferior no trigo argentino, dependendo da safra;
- pressão de custos sobre insumos, embalagens e carga tributária;
- necessidade de abastecimento regular para farinhas, pães, massas e biscoitos.
Durante a abertura do congresso, o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, afirmou que a condição do trigo argentino pode influenciar o volume final importado.
“Esse cenário também poderá ser agravado pela qualidade do trigo argentino. Caso não haja uma melhora em relação à safra passada, será necessário ampliar ainda mais as importações para compensar essa condição”, afirmou Rubens Barbosa, presidente-executivo da Abitrigo, segundo a Campo & Negócios.
Custos e tributos pressionam a indústria moageira
Além da oferta, a indústria também observa a pressão nos custos. Segundo a Abitrigo, houve elevação de 1,17% na carga tributária incidente sobre o trigo importado e redução de 10% do crédito presumido.
Referências de mercado para trigo importado e seus custos
Assim, o impacto pode aparecer nos custos da indústria moageira em 2026 e 2027. No entanto, eventuais reflexos nos preços ao consumidor dependem de outros fatores, como câmbio, logística, concorrência e comportamento da demanda.
O tema é relevante porque o trigo está presente em uma ampla cesta de derivados. Entre eles estão farinha, pães, massas e biscoitos, produtos de grande circulação no varejo alimentar.
Clima, escala e produção nacional
O presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, Daniel Kümmel, destacou que o trigo nacional e o importado têm papéis complementares no abastecimento. Além disso, ele apontou a escala produtiva como um dos desafios estruturais da cadeia.
“Safra, câmbio e regra não se escolhem, se administram”, afirmou Daniel Kümmel, presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, conforme relato da Campo & Negócios.
Na avaliação apresentada no congresso, o Brasil tem condições de ampliar a produção. Porém, o avanço depende de fatores como tecnologia, previsibilidade, competitividade e ambiente regulatório.
Cotações do trigo no debate sobre produção nacional
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Guilherme Campos Júnior, também citou a queda de área plantada e de produção associada ao clima. Além disso, mencionou as taxas de juros como um desafio adicional para o produtor rural.
Consumo e geopolítica entram na conta
O congresso também discutiu mudanças no consumo e no ambiente internacional. Portanto, o debate foi além da safra e incluiu temas como geopolítica, economia, inovação em alimentos e comportamento do consumidor.
Especialistas convidados avaliaram que cadeias produtivas estão mais expostas à interdependência global. Por outro lado, novas tendências alimentares podem alterar a demanda por determinados produtos derivados do trigo.
Um dos temas abordados foi o possível efeito dos medicamentos análogos de GLP-1 sobre escolhas alimentares. Ainda assim, o impacto sobre categorias específicas depende de acompanhamento de dados de consumo ao longo do tempo.
Dados de consumo para acompanhar mudanças na demanda por trigo
O que observar no mercado do trigo
Para compradores, distribuidores e varejistas, o momento exige leitura constante de oferta, importação e custos. Entretanto, o cenário não deve ser interpretado como uma previsão única de preço, pois há variáveis regionais e comerciais relevantes.
Nos próximos meses, os principais pontos de atenção são:
- evolução da safra brasileira e da disponibilidade interna;
- qualidade e oferta do trigo argentino;
- câmbio e custo de importação;
- mudanças tributárias e regulatórias;
- comportamento do consumo de derivados.
Assim, o mercado do trigo entra em 2026 e 2027 com maior dependência de análise integrada. Clima, comércio exterior, política agrícola e consumo devem seguir no centro das decisões da cadeia.




