Diagnóstico quer medir o peso do enoturismo
O enoturismo brasileiro começou a ser mapeado em uma pesquisa nacional inédita conduzida pela Escola de Enoturismo junto a vinícolas de diferentes regiões produtoras.
O levantamento busca preencher uma lacuna relevante. Apesar do avanço das experiências em vinícolas, o país ainda não tem indicadores consolidados sobre empregos, visitantes, faturamento e demanda por qualificação no setor.
Segundo a divulgação publicada pelo Jornal da Fruta, os primeiros resultados serão apresentados no 1º Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, em São Paulo, nos dias 12 e 13 de agosto. O evento é promovido pela ONU Turismo, Ministério do Turismo e Revista ADEGA.
Quais dados serão levantados
A pesquisa deve reunir informações operacionais e econômicas das vinícolas. Portanto, ela pode ajudar a dimensionar melhor o papel do turismo dentro da cadeia da uva e do vinho.
- número de profissionais envolvidos diretamente no enoturismo;
- fluxo anual de visitantes nas vinícolas participantes;
- participação das atividades turísticas no faturamento das empresas;
- áreas com maior dificuldade de contratação de mão de obra qualificada.
Para produtores, compradores e empresas que acompanham o mercado de frutas pelo Classifrutas, esse movimento mostra como a diversificação comercial pode ganhar peso em cadeias agrícolas com forte identidade territorial.
Mercado global avança com experiências
No cenário internacional, o enoturismo vem sendo impulsionado pela busca por gastronomia, cultura, turismo rural e experiências de origem. Segundo dados citados na divulgação, o mercado mundial pode passar de US$ 46,4 bilhões em 2023 para US$ 106,7 bilhões até 2030.
Além disso, o Global Wine Tourism Report 2025, da Great Wine Capitals Global Network, aponta que 65% das vinícolas pesquisadas consideram o enoturismo uma atividade rentável. Em média, 25% do faturamento das empresas já viria das atividades turísticas, percentual que chega a 28% nas pequenas vinícolas.
No Brasil, estimativas do Sebrae indicam que mais de 85% das vinícolas investem em enoturismo. Já a Wine Locals apontou crescimento de 57,8% nas experiências comercializadas no Rio Grande do Sul em 2025, ante o ano anterior, com ticket médio de R$ 510.
Por que os indicadores importam
A ausência de dados limita o planejamento de políticas públicas, programas de formação e estratégias de desenvolvimento regional. No entanto, o novo diagnóstico pode criar uma base comparável para futuras pesquisas.
“O enoturismo cresceu, profissionalizou suas experiências e passou a ocupar um papel estratégico dentro de muitas vinícolas. Mas ainda conhecemos muito pouco sobre quem faz esse setor acontecer.”
A leitura é semelhante entre pesquisadores da área. Assim, o foco deixa de estar apenas na produção e passa a incluir pessoas, serviços e impactos locais.
“O Brasil já dispõe de informações sobre produção, área cultivada e consumo de vinhos. Agora precisamos conhecer melhor as pessoas, os empregos e os impactos que o enoturismo gera nos territórios.”
Efeito para a cadeia da uva
O avanço do enoturismo não substitui a produção agrícola. Por outro lado, ele pode ampliar a conexão entre território, marca, experiência e venda direta.
Esse ponto é importante para regiões produtoras de uva. Afinal, a experiência turística tende a valorizar origem, paisagem, história da família produtora e qualidade do produto final.
Além disso, a medição do faturamento ligado ao turismo pode indicar quanto essa atividade contribui para a sustentabilidade econômica das vinícolas. Com dados melhores, o setor ganha mais capacidade para discutir qualificação, infraestrutura e promoção territorial.
Próximos passos
Os dados consolidados serão divulgados no fórum de agosto. Depois disso, a expectativa é que o levantamento sirva de referência para programas de formação e novas estratégias para o enoturismo brasileiro.
A Escola de Enoturismo também conclui sua primeira turma presencial e inicia uma turma online em agosto, com formação baseada em território e origem, experiência e comunicação, e negócios.
As informações deste artigo têm caráter informativo e podem variar conforme região, período e fonte consultada.




