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Bioinsumos ganham força frente ao clima extremo

Classifrutas4 min de leitura

bioinsumos na agricultura

Bioinsumos avançam como resposta ao risco climático

Bioinsumos na agricultura foram apontados por pesquisadores no BioSummit 2026 como ferramentas relevantes para reduzir emissões, melhorar o uso da água e ampliar a resiliência das lavouras diante de secas, calor e eventos extremos.

O debate, realizado em Campinas (SP), reuniu especialistas que relacionaram mudanças climáticas, biodiversidade microbiana e controle biológico. Além disso, o tema ganha peso para produtores e compradores de hortifrutigranjeiros, já que o clima interfere diretamente em oferta, qualidade e regularidade de entrega.

Segundo informações divulgadas pelo Jornal da Fruta com base na Embrapa, o pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente, destacou que microrganismos benéficos ajudam a equilibrar sistemas agrícolas. Portanto, sua preservação pode contribuir para lavouras mais preparadas a períodos de estresse.

Por que o tema importa para o FLV

No setor de frutas, legumes e verduras, a instabilidade climática costuma afetar produtividade, padrão comercial e perdas no campo. Assim, práticas que apoiam o manejo de doenças e o uso mais eficiente da água tendem a ganhar atenção.

Entre os pontos destacados no evento, os bioinsumos aparecem associados a três frentes principais:

  • maior equilíbrio biológico do solo e das plantas;
  • apoio ao manejo de doenças e vetores em cenários de calor;
  • redução de impacto ambiental quando comparados a parte dos insumos químicos.

Para quem acompanha mercado e abastecimento pelo Classifrutas, esse movimento também ajuda a entender mudanças na forma de produção. No entanto, os efeitos variam conforme cultura, região, manejo e pressão climática.

Cotações de FLV em culturas com manejo por bioinsumos

Emissões e biodiversidade microbiana

Um dos dados apresentados por Bettiol comparou emissões associadas à produção de insumos. Segundo o pesquisador, 1 quilo de defensivo químico pode emitir de 20 a 25 quilos de CO2 equivalente.

Já 1 quilo de bioinsumo, conforme a mesma apresentação, gera de 3 a 5 quilos de CO2 equivalente. Portanto, a diferença reforça o interesse por alternativas biológicas dentro de estratégias de menor impacto ambiental.

O pesquisador também informou que o Brasil possui 277 produtos biológicos registrados com uso de apenas duas cepas de microrganismos. Para ele, isso indica espaço para ampliar o aproveitamento da biodiversidade microbiana nacional.

Calor pode elevar pressão de doenças

As mudanças climáticas também podem alterar a dinâmica de doenças no campo. De acordo com Bettiol, temperaturas mais altas tendem a encurtar o ciclo de vetores, aumentar sua atividade e favorecer a disseminação de patógenos.

Ofertas de FLV em regiões com maior pressão de doenças

O pesquisador citou casos como o enfezamento do milho, associado a vírus e molicutes transmitidos por vetores. Embora o exemplo venha de uma cultura de grãos, o alerta é relevante para cadeias hortifrutícolas, pois pragas e doenças também respondem a variações de clima.

Controle biológico além do combate a doenças

No mesmo evento, o professor Carlos Alexandre Cruciol, da Unesp, afirmou que agentes de biocontrole podem atuar além do controle direto de patógenos. Assim, eles também podem ajudar plantas a enfrentar estresses abióticos.

Entre os exemplos citados estão:

  • bactérias do gênero Bacillus, associadas ao apoio contra estresses abióticos;
  • fungos do gênero Trichoderma, com melhor resposta em condições de déficit hídrico;
  • microrganismos benéficos que favorecem equilíbrio e eficiência fisiológica das plantas.

Essas aplicações não eliminam a necessidade de manejo técnico. Porém, ampliam o conjunto de ferramentas disponíveis em um cenário de maior risco climático.

Adoção cresce, mas exige leitura técnica

A jornalista especializada em agro Renata Maron informou no BioSummit que a área potencial tratada com bioinsumos no Brasil chegou a cerca de 194 milhões de hectares em 2025. Além disso, a taxa de adoção teria passado de 22% para 47% em cinco anos.

Mercado de culturas com avanço no uso de bioinsumos

O avanço mostra maior interesse do campo por soluções biológicas. Ainda assim, resultados dependem de fatores como qualidade do produto, armazenamento, momento de aplicação, assistência técnica e compatibilidade com o manejo adotado.

Para o setor FLV, a principal leitura é que bioinsumos e controle biológico devem seguir no centro das discussões sobre clima, produtividade e sustentabilidade. Dessa forma, produtores, distribuidores e compradores podem acompanhar melhor os impactos dessas práticas na oferta e na qualidade dos alimentos.

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