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Morangos resistentes ao calor avançam na Europa

Classifrutas5 min de leitura

morangos resistentes ao calor

Biotecnologia mira morangos mais tolerantes ao calor

Empresas europeias planejam iniciar em 2028 testes comerciais em campo com morangos resistentes ao calor, usando inteligência artificial e edição genética.

A iniciativa reúne a Plantik Biosciences, da França, e a Hudson River Biotechnology, da Holanda. Segundo informações publicadas pelo ChileBio, com base em conteúdo do FreshFruitPortal, o objetivo é introduzir tolerância ao calor em variedades comerciais de morango.

O tema ganha relevância porque ondas de calor afetam etapas sensíveis da cultura. Além disso, temperaturas extremas podem prejudicar floração, frutificação, tamanho, teor de açúcar e qualidade comercial dos frutos.

Como a inteligência artificial entra no melhoramento

A estratégia parte de avanços obtidos pela Plantik em tomates com maior tolerância a altas temperaturas. A empresa identificou regiões genômicas associadas a essa característica e validou parte desses resultados em materiais de tomate nos Estados Unidos e na Europa.

Agora, a proposta é buscar sequências equivalentes no genoma do morango. Para isso, a companhia usa a plataforma ATLANTIS, que combina dados genômicos e aprendizado de máquina para apontar regiões de DNA ligadas a características complexas.

Acompanhar cotações do morango no mercado FLV

De acordo com Ying Shao, cofundador e CEO da Plantik, algumas regiões genéticas apresentam conservação entre espécies vegetais. Assim, elas podem orientar novas frentes de pesquisa no morango.

“Quando não há estresse térmico, a planta se desenvolve e se comporta da mesma forma que uma planta não modificada.”

Ying Shao, cofundador e CEO da Plantik, ao FreshFruitPortal

Edição genética sem DNA externo permanente

A Hudson River Biotechnology ficará responsável pela etapa de edição genética. Sua plataforma BioMaas permite modificações direcionadas sem exigir a incorporação permanente de DNA externo no genoma da planta.

Na prática, essa abordagem pode permitir o trabalho direto com variedades comerciais. Portanto, características já valorizadas, como sabor, produtividade e desempenho agronômico, tendem a ser preservadas durante o processo de melhoramento.

No melhoramento convencional, a introdução de uma nova característica pode exigir várias gerações de cruzamentos. Por outro lado, a edição genética busca alterar pontos específicos, o que pode encurtar etapas de desenvolvimento.

Por que o morango é um desafio genético

O morango cultivado é uma espécie octoploide, com oito conjuntos de cromossomos e 56 cromossomos no total. Essa complexidade aumenta a dificuldade para localizar, editar e regenerar plantas com alterações específicas.

Ver ofertas de morango em meio aos desafios da cultura

Segundo a Hudson River, mais de 30 genótipos de morango foram avaliados em sua plataforma tecnológica. Além disso, a empresa desenvolveu procedimentos adaptados às diferenças de regeneração entre variedades comerciais.

Entre as técnicas citadas está o uso de hidrogéis para cultivo de protoplastos. Esses materiais ajudam na edição de células vegetais e na formação de calos, etapa anterior à regeneração de plantas completas.

O que as novas variedades terão de comprovar

O avanço tecnológico não se limita à sobrevivência da planta sob calor. No campo, os materiais precisarão manter produtividade e qualidade durante episódios de estresse térmico.

Entre os pontos de avaliação devem estar:

  • floração e frutificação em períodos de alta temperatura;
  • produtividade e estabilidade de rendimento;
  • tamanho dos frutos e padrão comercial;
  • teor de açúcar e qualidade sensorial;
  • ausência de efeitos indesejáveis sem estresse térmico.

Para o setor FLV, esse tipo de pesquisa merece atenção porque conecta clima, oferta e qualidade. No Classifrutas, esse acompanhamento é relevante para produtores, compradores e distribuidores que observam tendências capazes de influenciar a comercialização futura.

Seguir tendências de oferta e qualidade do morango

Regulação pode acelerar a chegada ao campo

O ambiente regulatório também aparece como fator importante. Segundo a notícia original, os Estados Unidos já possuem mecanismos para avaliar culturas geneticamente modificadas, enquanto a Europa aprovou novas regras para técnicas genômicas em junho de 2026.

A implementação europeia está prevista para julho de 2028. Assim, o calendário regulatório pode coincidir com os primeiros testes comerciais em campo do projeto.

Ainda assim, os resultados agronômicos e comerciais dependerão de validações futuras. Portanto, não há garantia de desempenho até que os materiais sejam testados em diferentes ambientes de produção.

Impacto potencial para o mercado de frutas

Em um cenário de maior frequência de eventos climáticos extremos, o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes ao calor pode ganhar espaço na fruticultura. Além disso, a mesma lógica tecnológica pode ser aplicada a outras culturas.

A Plantik citou interesse em soja, batata, pimentão e alface. Já a Hudson River avalia aplicações ligadas à seca, doenças, estabilidade de rendimento, qualidade e vida útil de produtos agrícolas.

Acompanhar ofertas de batata, pimentão e alface

Para o mercado de morangos, a inovação ainda está em fase de desenvolvimento. No entanto, a combinação entre inteligência artificial, genômica e edição direcionada indica uma frente de pesquisa com potencial para afetar oferta, padrão de qualidade e planejamento produtivo nos próximos anos.

As informações deste artigo têm caráter informativo e podem variar conforme região, período e fonte consultada.

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