Biotecnologia mira morangos mais tolerantes ao calor
Empresas europeias planejam iniciar em 2028 testes comerciais em campo com morangos resistentes ao calor, usando inteligência artificial e edição genética.
A iniciativa reúne a Plantik Biosciences, da França, e a Hudson River Biotechnology, da Holanda. Segundo informações publicadas pelo ChileBio, com base em conteúdo do FreshFruitPortal, o objetivo é introduzir tolerância ao calor em variedades comerciais de morango.
O tema ganha relevância porque ondas de calor afetam etapas sensíveis da cultura. Além disso, temperaturas extremas podem prejudicar floração, frutificação, tamanho, teor de açúcar e qualidade comercial dos frutos.
Como a inteligência artificial entra no melhoramento
A estratégia parte de avanços obtidos pela Plantik em tomates com maior tolerância a altas temperaturas. A empresa identificou regiões genômicas associadas a essa característica e validou parte desses resultados em materiais de tomate nos Estados Unidos e na Europa.
Agora, a proposta é buscar sequências equivalentes no genoma do morango. Para isso, a companhia usa a plataforma ATLANTIS, que combina dados genômicos e aprendizado de máquina para apontar regiões de DNA ligadas a características complexas.
Acompanhar cotações do morango no mercado FLV
De acordo com Ying Shao, cofundador e CEO da Plantik, algumas regiões genéticas apresentam conservação entre espécies vegetais. Assim, elas podem orientar novas frentes de pesquisa no morango.
“Quando não há estresse térmico, a planta se desenvolve e se comporta da mesma forma que uma planta não modificada.”
Edição genética sem DNA externo permanente
A Hudson River Biotechnology ficará responsável pela etapa de edição genética. Sua plataforma BioMaas permite modificações direcionadas sem exigir a incorporação permanente de DNA externo no genoma da planta.
Na prática, essa abordagem pode permitir o trabalho direto com variedades comerciais. Portanto, características já valorizadas, como sabor, produtividade e desempenho agronômico, tendem a ser preservadas durante o processo de melhoramento.
No melhoramento convencional, a introdução de uma nova característica pode exigir várias gerações de cruzamentos. Por outro lado, a edição genética busca alterar pontos específicos, o que pode encurtar etapas de desenvolvimento.
Por que o morango é um desafio genético
O morango cultivado é uma espécie octoploide, com oito conjuntos de cromossomos e 56 cromossomos no total. Essa complexidade aumenta a dificuldade para localizar, editar e regenerar plantas com alterações específicas.
Ver ofertas de morango em meio aos desafios da cultura
Segundo a Hudson River, mais de 30 genótipos de morango foram avaliados em sua plataforma tecnológica. Além disso, a empresa desenvolveu procedimentos adaptados às diferenças de regeneração entre variedades comerciais.
Entre as técnicas citadas está o uso de hidrogéis para cultivo de protoplastos. Esses materiais ajudam na edição de células vegetais e na formação de calos, etapa anterior à regeneração de plantas completas.
O que as novas variedades terão de comprovar
O avanço tecnológico não se limita à sobrevivência da planta sob calor. No campo, os materiais precisarão manter produtividade e qualidade durante episódios de estresse térmico.
Entre os pontos de avaliação devem estar:
- floração e frutificação em períodos de alta temperatura;
- produtividade e estabilidade de rendimento;
- tamanho dos frutos e padrão comercial;
- teor de açúcar e qualidade sensorial;
- ausência de efeitos indesejáveis sem estresse térmico.
Para o setor FLV, esse tipo de pesquisa merece atenção porque conecta clima, oferta e qualidade. No Classifrutas, esse acompanhamento é relevante para produtores, compradores e distribuidores que observam tendências capazes de influenciar a comercialização futura.
Seguir tendências de oferta e qualidade do morango
Regulação pode acelerar a chegada ao campo
O ambiente regulatório também aparece como fator importante. Segundo a notícia original, os Estados Unidos já possuem mecanismos para avaliar culturas geneticamente modificadas, enquanto a Europa aprovou novas regras para técnicas genômicas em junho de 2026.
A implementação europeia está prevista para julho de 2028. Assim, o calendário regulatório pode coincidir com os primeiros testes comerciais em campo do projeto.
Ainda assim, os resultados agronômicos e comerciais dependerão de validações futuras. Portanto, não há garantia de desempenho até que os materiais sejam testados em diferentes ambientes de produção.
Impacto potencial para o mercado de frutas
Em um cenário de maior frequência de eventos climáticos extremos, o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes ao calor pode ganhar espaço na fruticultura. Além disso, a mesma lógica tecnológica pode ser aplicada a outras culturas.
A Plantik citou interesse em soja, batata, pimentão e alface. Já a Hudson River avalia aplicações ligadas à seca, doenças, estabilidade de rendimento, qualidade e vida útil de produtos agrícolas.
Acompanhar ofertas de batata, pimentão e alface
Para o mercado de morangos, a inovação ainda está em fase de desenvolvimento. No entanto, a combinação entre inteligência artificial, genômica e edição direcionada indica uma frente de pesquisa com potencial para afetar oferta, padrão de qualidade e planejamento produtivo nos próximos anos.
As informações deste artigo têm caráter informativo e podem variar conforme região, período e fonte consultada.




