Alta interrompe sequência de queda no entreposto
O Índice Ceagesp subiu 3,14% em agosto e interrompeu a trajetória de baixa observada desde junho. Segundo dados da Ceagesp divulgados pelo Notícias Agrícolas, o indicador acumula alta de 7,28% no ano e de 10,40% em 12 meses.
A alta foi puxada por frutas, legumes e pescados. No entanto, verduras e itens diversos recuaram no período, o que mostra um mercado ainda bastante influenciado por clima, oferta regional e ritmo de demanda.
Para quem acompanha negociações no setor FLV, como produtores, compradores e distribuidores presentes no ecossistema do Classifrutas, o resultado ajuda a entender onde houve pressão de preços e onde a oferta ganhou força.
Setores que puxaram o Índice Ceagesp
O avanço de agosto teve contribuição concentrada em três grupos. Por outro lado, dois setores impediram uma alta ainda maior do indicador geral.
- Frutas: alta de 3,50%.
- Legumes: alta de 5,41%.
- Pescados: alta de 7,08%.
- Diversos: queda de 4,68%.
- Verduras: queda de 14,87%.
Esse comportamento reforça a leitura de que o mercado atacadista segue sensível a fatores específicos por produto. Assim, a média geral pode esconder movimentos opostos entre categorias.
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Verduras caem com clima favorável
As verduras tiveram o recuo mais forte entre os setores, com queda de 14,87%. Além disso, 95% dos 39 itens cotados apresentaram redução de preços, segundo o levantamento.
A ausência de geadas severas nas principais regiões produtoras, especialmente no Cinturão Verde Paulista, favoreceu a produção de folhosas de ciclo curto. Com clima mais ameno, itens como alface e coentro tiveram bom desenvolvimento, melhor qualidade visual e maior disponibilidade.
- Coentro: queda de 46,70%.
- Alface crespa: queda de 35,56%.
- Alface lisa: queda de 32,94%.
- Alface crespa hidropônica: queda de 30,12%.
- Alface lisa hidropônica: queda de 27,04%.
Portanto, o setor de verduras mostrou uma dinâmica oposta à média do índice. Nesse caso, o clima ampliou a oferta e pressionou as cotações para baixo.
Batata e cebola reduzem preços em diversos
O grupo de diversos caiu 4,68% em agosto. A baixa deu continuidade ao movimento do mês anterior, quando o setor já havia recuado 14,53%.
Entre os 11 itens cotados, 55% tiveram queda. As maiores reduções ocorreram em produtos de forte presença no abastecimento atacadista.
- Batata lavada: queda de 17,38%.
- Cebola nacional: queda de 9,91%.
- Batata escovada: queda de 3,60%.
- Ovos de codorna: queda de 1,75%.
- Amendoim com pele: queda de 1,45%.
No caso da batata lavada, a redução ocorreu mesmo com menor volume mensal de oferta. Segundo a análise divulgada, a demanda mais fraca do varejo pressionou as cotações.
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Já a cebola nacional foi impactada pelo aumento de oferta. Além disso, o tempo seco acelerou a cura do produto em áreas de São Paulo e Minas Gerais, ampliando a concorrência entre comerciantes.
Limão taiti e kiwi elevam o setor de frutas
As frutas subiram 3,50%, com alta em 53% dos 49 itens acompanhados. O principal destaque foi o limão taiti, que ficou 81,72% mais caro.
Segundo a Ceagesp, o limão taiti refletiu o pico da entressafra no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais. Ainda assim, a tendência indicada no levantamento é de recuperação moderada da oferta e arrefecimento gradual dos preços até o fim de dezembro.
O kiwi importado também teve forte valorização, com alta de 51,40%. O movimento foi atribuído ao fim de lotes remanescentes da Europa e à chegada de frutas novas do Chile e da Nova Zelândia, com maior valor agregado e custos de frete internacional.
Consultar ofertas e cotações de kiwi importado
Tomates lideram alta nos legumes
O setor de legumes avançou 5,41% e reverteu a queda de 23,08% registrada no mês anterior. A alta foi associada às amplitudes térmicas nas regiões produtoras, que atrasaram a maturação dos frutos no campo.
Os tomates concentraram as maiores altas do grupo. Além disso, a menor disponibilidade ocorreu após um período de preços desfavoráveis no primeiro semestre, que desestimulou a produção e reduziu a área plantada.
- Tomate Carmem: alta de 43,35%.
- Tomate Pizzad’oro: alta de 39,58%.
- Tomate Sweet Grape: alta de 31,84%.
- Tomate cereja: alta de 30,86%.
Assim, a combinação entre menor oferta, maturação mais lenta e recomposição de preços sustentou a valorização dos tomates no mês.
Pescados sobem com oferta concentrada e clima
Os pescados tiveram a maior alta setorial, com avanço de 7,08%. O movimento reverteu a queda de 2,04% observada no mês anterior.
O salmão importado subiu 20,08%. Segundo o levantamento, a interdição por 34 dias da Passagem Internacional Cristo Redentor, entre Chile e Argentina, comprometeu o fluxo logístico e concentrou a disponibilidade nas mãos de poucos distribuidores.
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Também houve altas em peixe-espada, cavalinha, polvo e robalo. No caso do peixe-espada, o resfriamento das águas no Sul pode ter afetado rotas migratórias. Já a cavalinha apresentou comportamento atípico, com aumento de oferta acompanhado de alta de preços.
- Salmão importado: alta de 20,08%.
- Peixe-espada: alta de 17,69%.
- Cavalinha: alta de 15,50%.
- Polvo: alta de 13,89%.
- Robalo: alta de 11,93%.
Portanto, o setor de pescados combinou fatores climáticos, logísticos e de demanda. Essa leitura ajuda a explicar por que a alta ocorreu mesmo em alguns produtos com oferta estável ou maior.
O que o resultado indica para o mercado FLV
O resultado de agosto mostra que o mercado atacadista segue dividido. Enquanto verduras recuaram com clima favorável e boa oferta, frutas, legumes e pescados sentiram efeitos de entressafra, menor disponibilidade, logística e demanda.
Além disso, o Índice Ceagesp reforça a importância de acompanhar cada categoria separadamente. No setor FLV, médias gerais são úteis, mas as decisões comerciais dependem de leitura por produto, origem, qualidade e momento de oferta.
As informações deste artigo têm caráter informativo e podem variar conforme região, período e fonte consultada.
