Exportações Brasil-EUA caem 9,7% até agosto

Home > Blog

Exportações recuam no acumulado de 2026

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, queda de 9,7% frente ao mesmo período do ano anterior. O dado consta no Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base no Comexstat.

Apesar disso, agosto mostrou um movimento diferente. No mês, as vendas brasileiras ao mercado norte-americano cresceram 12,1% em valor na comparação anual. No entanto, a quantidade exportada caiu 17,3%, o que indica avanço puxado por preços médios mais altos.

Para quem acompanha o comércio agro e o mercado FLV, a leitura central está no ambiente de negociação. Embora o levantamento seja agregado e não isole hortifrutigranjeiros, ele mostra como tarifas, preços e demanda externa podem alterar o ritmo das exportações brasileiras.

Tarifas pesam sobre parte da pauta exportadora

Segundo o Monitor da Amcham Brasil, os produtos sujeitos às sobretaxas mais elevadas, entre 25% e 37,5%, tiveram queda de 10,5% em agosto. Portanto, a alta total do mês não foi suficiente para reverter a pressão sobre itens tarifados.

No acumulado de janeiro a agosto, a retração foi mais intensa. As exportações desses produtos caíram de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões, baixa de 29,1%.

"O comércio bilateral permanece em trajetória de retração em 2026, com queda tanto das exportações quanto das importações. Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano, com perdas para ambas as economias", afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Além disso, os produtos com algum tipo de sobretaxa somaram US$ 11,0 bilhões, queda de 11,4%. Já os bens sem sobretaxa chegaram a US$ 13,1 bilhões, com recuo de 8,3%.

Cotações de FLV em meio à retração do comércio Brasil-EUA

Agropecuária também registra queda nas vendas aos EUA

A retração atingiu os três grandes setores da economia. Na agropecuária, as exportações brasileiras aos Estados Unidos caíram 26,7% no acumulado do ano. Por outro lado, as vendas agropecuárias para os demais mercados cresceram 9,5%.

Esse contraste reforça uma diferença importante. O desempenho negativo está concentrado no mercado norte-americano, enquanto outros destinos seguiram com expansão no período analisado.

Na indústria de transformação, as vendas aos Estados Unidos recuaram 4,9%. Já na indústria extrativa, a queda chegou a 28,9%. Assim, o movimento não ficou restrito a uma única cadeia.

Principais números do comércio Brasil-EUA

O levantamento da Amcham Brasil resume o desempenho entre janeiro e agosto de 2026 nos seguintes indicadores:

  • Exportações Brasil → Estados Unidos: US$ 24,1 bilhões, queda de 9,7%.
  • Importações Estados Unidos → Brasil: US$ 27,3 bilhões, queda de 8,6%.
  • Déficit brasileiro: US$ 3,2 bilhões.
  • Bens com sobretaxa: US$ 11,0 bilhões, queda de 11,4%.
  • Produtos com sobretaxas de 25% a 37,5%: US$ 3,6 bilhões, queda de 29,1%.

Além disso, entre os dez principais produtos submetidos às tarifas de 25% a 37,5%, nove registraram queda nas vendas ao mercado norte-americano. Entre as maiores baixas aparecem madeira de coníferas, fumo não manufaturado, sebo bovino e granitos trabalhados.

Ofertas de FLV diante das tarifas ao mercado norte-americano

Por que o dado importa para o setor FLV

No setor de hortifrutigranjeiros, exportações, câmbio, frete e barreiras comerciais influenciam a formação de expectativas. Portanto, mesmo quando os dados não tratam diretamente de frutas, legumes e verduras, eles ajudam a compor o quadro de mercado.

Para compradores, produtores e distribuidores, a retração no comércio bilateral indica um cenário externo mais seletivo. Além disso, a diferença entre crescimento em valor e queda em volume mostra que preço e quantidade podem seguir direções opostas.

No Classifrutas, esse tipo de leitura ganha relevância porque conecta dados macroeconômicos à rotina de negociação do setor FLV. Assim, o mercado acompanha não apenas preços internos, mas também sinais de oferta, demanda e comércio internacional.

Cenário exige leitura cautelosa

O avanço das exportações em agosto não elimina a queda acumulada no ano. Além disso, parte relevante da pauta segue pressionada por tarifas e por menor volume embarcado.

Dados de preço para avaliar embarques e negociações de FLV

Por outro lado, o crescimento em valor no mês mostra que preços médios tiveram papel importante no resultado. Dessa forma, a análise do comércio Brasil-EUA precisa considerar valor, quantidade e composição dos produtos exportados.

Como os dados são agregados, não é possível afirmar efeitos diretos sobre o FLV sem recortes específicos por produto. Ainda assim, o comportamento das exportações brasileiras aos Estados Unidos permanece como indicador relevante para entender o ambiente comercial do agronegócio.

Post anterior
Próximo post

© 2026 ICEASA. Todos os direitos reservados.

ICEASA — a inteligência que faz o hortifruti girar