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Cacau avança em Mato Grosso e amplia renda

Classifrutas5 min de leitura

cacau em Mato Grosso

Cacau ganha espaço na produção mato-grossense

Mato Grosso produziu 471 toneladas de cacau em 2022, em uma área de 724 hectares, segundo dados do IBGE citados na reportagem do Notícias Agrícolas.

Embora a cultura ainda esteja concentrada no noroeste do estado, o cacau começa a aparecer como alternativa de diversificação para produtores rurais. Além disso, iniciativas de pesquisa, assistência técnica e capacitação vêm estimulando novos plantios em outras regiões.

Hoje, municípios como Juína, Cotriguaçu e Nova Bandeirantes estão entre os principais polos da atividade. No entanto, projetos também avançam em Santo Antônio do Leverger, Campo Verde, Nobres, Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Barão de Melgaço, Alto Paraguai e Tangará da Serra.

Potencial de mercado impulsiona a cultura

O avanço do cacau em Mato Grosso ocorre em um cenário de demanda por matéria-prima. Segundo a Federação dos Agricultores Familiares de Mato Grosso, há espaço para novos produtores porque o consumo interno ainda exige complemento de oferta.

“A cultura do cacau apresenta excelente rentabilidade e existe um mercado consumidor interno que necessita de matéria-prima. O Brasil ainda precisa importar cacau para atender à demanda por amêndoas. Isso demonstra que existe espaço para novos produtores.”

Paulo Selva, diretor de Projetos da Fedaf MT, ao Notícias Agrícolas

Outro ponto citado pela entidade é a disponibilidade de variedades desenvolvidas pela Ceplac. Assim, técnicos e produtores podem avaliar clones mais adequados às diferentes condições de clima e solo do estado.

Cotações e ofertas para cacau em Mato Grosso

Para quem acompanha o mercado de frutas e cadeias agroindustriais, como o público do Classifrutas, o movimento chama atenção por unir diversificação produtiva, demanda industrial e possibilidade de agregação de valor.

Agricultura familiar vê oportunidade no cacau

A cacauicultura tem características que podem favorecer pequenas propriedades. Afinal, trata-se de uma cultura perene, com ciclo produtivo longo e possibilidade de convivência com outras atividades rurais.

“É uma cultura que pode permanecer produtiva por muitos anos. Ela exige manejo constante, conhecimento técnico e planejamento, mas pode ser perfeitamente integrada a outras atividades desenvolvidas pelo agricultor familiar.”

Paulo Selva, diretor de Projetos da Fedaf MT, ao Notícias Agrícolas

No entanto, a entrada na atividade exige análise técnica e financeira. Portanto, fatores como escolha de clones, preparo da área e pós-colheita influenciam diretamente a qualidade das amêndoas e o resultado comercial.

  • Escolha de materiais genéticos adaptados à região.
  • Correção e manejo da fertilidade do solo.
  • Irrigação, podas e controle de pragas e doenças.
  • Colheita, fermentação e secagem das amêndoas.
  • Gestão de custos, produtividade e rentabilidade.

Assistência técnica apoia novos produtores

A Assistência Técnica e Gerencial do Senar MT tem papel relevante no avanço da cultura. Atualmente, a ATeG atende 31 produtores na região Norte de Mato Grosso, com foco em produção sustentável e fortalecimento da agricultura familiar.

Segundo o Senar MT, o acompanhamento envolve orientação individualizada, análise de indicadores, controle de custos e planejamento da atividade. Dessa forma, o produtor passa a enxergar o cacau como negócio, e não apenas como mais uma lavoura.

“A cacauicultura tem potencial para se tornar uma importante alternativa de diversificação de renda para a agricultura familiar em Mato Grosso. Mas, para isso, é fundamental que o produtor tenha acesso a conhecimento, planejamento e acompanhamento técnico.”

Cristiani Bernini, supervisora da ATeG Fruticultura e Olericultura do Senar MT, ao Notícias Agrícolas

Além disso, a assistência técnica ajuda a aproximar eficiência produtiva e sustentabilidade. Esse ponto é importante porque o crescimento da oferta precisa vir acompanhado de qualidade, padronização e capacidade de atender diferentes mercados.

Dados de mercado para planejar a cacauicultura

Do fruto ao chocolate: agregação de valor

O cacau também permite que o produtor explore alternativas além da venda das amêndoas. Por outro lado, essa diversificação pode ocorrer dentro da propriedade ou por meio de parcerias com agroindústrias.

Entre as possibilidades de aproveitamento estão:

  • Polpa para sorvetes, geleias, doces e bebidas.
  • Mel de cacau para sucos e licores.
  • Amêndoas para nibs, cacau em pó e chocolate.
  • Manteiga de cacau para alimentos, cosméticos e fármacos.
  • Cascas e subprodutos para compostos orgânicos e biofertilizantes.

Assim, a cultura pode criar novos elos entre campo, agroindústria e consumidor final. Além disso, a agregação de valor tende a ampliar oportunidades comerciais para agricultores familiares organizados.

Festival do Chocolate deve aproximar produtores e mercado

O Senar MT também pretende fomentar a cultura durante o 8º Festival do Chocolate de Cuiabá, previsto para os dias 28, 29 e 30 de agosto, na Arena Pantanal. O evento deve aproximar produtores, consumidores e agentes do mercado.

Conexões de mercado para quem negocia cacau

Uma das atrações será a Trilha do Saber e Sabor, voltada a mostrar o caminho do cacau ao chocolate. Nesse espaço, o público poderá conhecer mudas, frutos, amêndoas, nibs e equipamentos usados no processamento.

Segundo a organização, a proposta é destacar que o chocolate começa na propriedade rural. Portanto, escolha de variedade, manejo, colheita, fermentação e secagem são etapas decisivas para a qualidade final.

“A sustentabilidade não deve olhar apenas para os impactos ambientais da realização do evento, mas também para as pessoas, para a cultura e para a economia do território onde ele acontece.”

Zilda Castanho, organizadora do Festival do Chocolate, ao Notícias Agrícolas

Com a expansão dos plantios, a organização técnica e a busca por novos mercados, o cacau passa a ocupar posição estratégica na diversificação rural em Mato Grosso. Ainda assim, o avanço da atividade dependerá de planejamento, qualidade e articulação entre produtores, assistência técnica e compradores.

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