Pedidos de recuperação judicial acendem alerta no agro
Os pedidos de recuperação judicial cresceram 22% no primeiro trimestre de 2026, ante o mesmo período de 2025, chegando a 474 solicitações, segundo dados da Serasa Experian apresentados no 15º Congresso Andav.
O avanço do indicador reforça uma preocupação central para empresas ligadas ao agronegócio, incluindo operações de hortifrutigranjeiros: a necessidade de gestão financeira mais rigorosa, com atenção ao caixa, ao crédito e ao endividamento.
“A quantidade de RJ continua a crescer entre as pessoas jurídicas, embora comece a ceder entre o produtor rural pessoa física”, afirmou Marcelo Pimenta, diretor-geral de Agronegócio da Serasa Experian, durante o painel.
Crédito mais caro muda a rotina das empresas
Com o aumento do risco percebido pelos credores, bancos, revendas de insumos e demais financiadores tendem a endurecer a análise de crédito. Além disso, a precificação das operações pode ficar mais seletiva.
“O crédito fica mais caro e restrito”, resumiu Pedro Fernandes, diretor de Agronegócio do Itaú BBA, no painel Efeitos da Recuperação Judicial e Perspectivas do Mercado Financeiro e de Capitais.
Para distribuidoras, atacadistas e empresas do setor FLV, esse cenário exige maior previsibilidade. Portanto, controles de contas a receber, contas a pagar, margens e prazos comerciais ganham peso nas decisões diárias.
Caixa no centro da decisão
No Congresso Andav, o economista Antônio da Luz destacou que juros elevados e pressão sobre as contas exigem foco em liquidez. Segundo ele, o momento pede redução da dependência de capital de terceiros e menor endividamento.
“É ano de fazer o número da receita: receber e gerar fluxo de caixa”, afirmou Antônio da Luz no 15º Congresso Andav, em São Paulo.
Na prática, esse alerta dialoga com dores comuns do setor hortifrutigranjeiro. Afinal, empresas que lidam com produtos perecíveis precisam conciliar giro rápido, perdas, sazonalidade e variações de demanda.
Controle de giro, perdas e demanda em produtos perecíveis
O que a gestão precisa observar
Embora cada empresa tenha sua realidade, o debate do Congresso Andav aponta pontos de atenção relevantes para a gestão:
- Fluxo de caixa atualizado e acompanhado com frequência.
- Controle de prazos entre recebimentos e pagamentos.
- Análise mais criteriosa antes da concessão de crédito.
- Monitoramento do endividamento e da alavancagem.
- Visibilidade sobre margens por cliente, produto e operação.
Além disso, a integração das informações reduz decisões baseadas apenas em percepção. Nesse contexto, sistemas de gestão, como os utilizados por empresas atendidas pela Iceasa, ajudam a organizar dados operacionais e financeiros em uma rotina mais confiável.
Gestão e liderança também entraram na pauta
O Congresso Andav também abordou liderança e desenvolvimento profissional. Paulo Camargo, mentor de CEOs e ex-CEO do McDonald’s, destacou a importância de líderes assumirem responsabilidade por planos de ação claros.
“Nenhum problema resiste a um bom plano de ação”, pontuou Paulo Camargo durante sua participação no evento.
Para o setor FLV, essa mensagem se conecta diretamente à operação. Afinal, gestão financeira eficiente depende de processos, indicadores e pessoas preparadas para executar rotinas com disciplina.
Processos e indicadores na rotina financeira do FLV
Por que o tema importa para o FLV
O avanço da recuperação judicial no agronegócio não afeta apenas grandes empresas. Ele também influencia a forma como crédito, prazos e garantias são negociados em toda a cadeia.
Assim, distribuidoras, atacadistas e varejistas de hortifrúti precisam acompanhar o movimento com atenção. Mais do que reagir a crises, a prioridade é fortalecer a gestão para atravessar ciclos de juros altos, margens pressionadas e crédito mais seletivo.
O recado do debate é claro: empresas com dados organizados, caixa acompanhado e processos financeiros consistentes tendem a tomar decisões com mais segurança. E, nesse ponto, a tecnologia de gestão se torna parte da estrutura de controle, não apenas um apoio operacional.




