Certificação amplia foco em processos no leite
A Certificação em Biosseguridade deve alcançar 160 propriedades leiteiras no Brasil, segundo informações divulgadas pela Campo & Negócios com base na Embrapa. O avanço do protocolo mostra como a prevenção de doenças deixou de ser apenas uma rotina sanitária e passou a integrar a gestão da fazenda.
Desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Boehringer Ingelheim, a certificação avalia mais de 140 pontos críticos. Além disso, observa a circulação de animais, pessoas e veículos, as instalações e os processos produtivos.
Para empresas que atuam com alimentos perecíveis, o caso reforça uma tendência relevante: controle, registro e padronização são cada vez mais decisivos para reduzir perdas e melhorar a segurança operacional. Nesse contexto, a Iceasa acompanha o tema pela ótica da gestão de processos e da rastreabilidade nas cadeias agroalimentares.
O que a certificação avalia nas propriedades
O protocolo da Certificação em Biosseguridade foi criado a partir de pesquisas da Embrapa Gado de Leite sobre prevenção de doenças. Portanto, seu foco é transformar boas práticas em critérios verificáveis.
Entre os pontos avaliados, estão:
- controle de acesso às áreas de produção;
- higienização de equipamentos e instalações;
- circulação de veículos, visitantes e trabalhadores;
- acompanhamento da saúde dos animais;
- manutenção de registros sanitários confiáveis.
Segundo a Embrapa, cada etapa da rotina pode representar risco ou proteção. Por isso, o protocolo organiza medidas preventivas e permite acompanhar a evolução da propriedade ao longo do tempo.
Cada ponto de contato na fazenda pode representar um risco ou uma barreira de proteção.
Bruno Carvalho, chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Gado de Leite
Registros confiáveis reduzem falhas e perdas
Um dos pontos centrais da certificação é o controle documental. Afinal, sem histórico claro de tratamentos, diagnósticos e períodos de carência, aumenta o risco de falhas na tomada de decisão.
Controle documental para tratamentos e períodos de carência
Na pecuária leiteira, esse controle tem impacto direto na qualidade do produto. Além disso, ajuda a evitar o envio de leite com resíduos de medicamentos ao tanque, problema que pode gerar descarte e prejuízo.
Se não temos um registro sanitário confiável, corre-se o risco de enviar leite com resíduo de antibiótico ao tanque.
Bruno Carvalho, Embrapa Gado de Leite
Embora o exemplo venha da cadeia do leite, a lógica é semelhante em outros segmentos de perecíveis. Assim, empresas que lidam com produto sensível a tempo, temperatura, lote e origem dependem de processos bem documentados.
Casos mostram impacto econômico da gestão sanitária
Entre os exemplos citados pela Embrapa, a Fazenda Santa Luzia, em Passos (MG), reduziu em 50% o uso de antibióticos para mastite clínica. Além disso, reduziu em 70% os tratamentos para tristeza parasitária bovina.
Gestão sanitária e acompanhamento de ocorrências no campo
A mudança ocorreu com maior uso de diagnósticos antes da definição dos tratamentos. Entre 3.161 casos avaliados, 1.366 tiveram resultado negativo, o equivalente a cerca de 43% do total, dispensando antimicrobianos.
Com isso, a propriedade evitou o descarte de 244,5 mil litros de leite por ano. Segundo os dados apresentados, o impacto econômico positivo foi estimado em R$ 660 mil anuais.
Outro caso citado foi o da Fazenda Colorado, em Araras (SP). Em 2016, todas as vacas recebiam antibióticos na secagem da lactação. Porém, com a secagem seletiva, o manejo passou a usar critérios técnicos para definir quais animais necessitavam de tratamento.
Em 2024, 64% das vacas já passavam pelo processo sem antibióticos. Já em 2026, aproximadamente 80% dos animais em período seco recebiam apenas selante de teto, com antimicrobianos reservados aos casos necessários.
Por que o tema importa para a gestão agroalimentar
A biosseguridade evidencia uma mudança importante na gestão rural e agroindustrial. Cada vez mais, a eficiência depende da capacidade de registrar, monitorar e auditar rotinas críticas.
Registros, monitoramento e auditoria de rotinas críticas
Esse movimento se conecta a três frentes de gestão:
- padronização operacional, com rotinas claras e verificáveis;
- rastreabilidade, com informações confiáveis sobre origem, tratamento e movimentação;
- redução de perdas, com decisões baseadas em dados e não apenas em percepção.
Além disso, a pressão por segurança dos alimentos tende a ampliar a exigência por controles mais consistentes. No caso da certificação, o selo já começou a aparecer em supermercados, identificando produtos de sistemas que seguem os critérios definidos.
Para gestores do setor de alimentos, o ponto central não está apenas no selo. Está, sobretudo, na disciplina de transformar práticas técnicas em processos acompanháveis, auditáveis e mensuráveis.
Menos improviso, mais controle
A experiência das propriedades certificadas mostra que biosseguridade também é gestão. Portanto, prevenir riscos exige informação organizada, indicadores e rotinas bem executadas.
Na prática, controles sanitários, registros de movimentação, histórico de ocorrências e padronização de processos formam a base para decisões mais seguras. Esse princípio também orienta soluções de gestão voltadas a cadeias perecíveis, tema acompanhado pela Iceasa no contexto da eficiência operacional.
Controles sanitários e rastreabilidade em cadeias perecíveis
Assim, o avanço da Certificação em Biosseguridade reforça uma mensagem simples: quanto mais crítico é o produto, maior deve ser a qualidade da informação que sustenta a operação.




