IA e drones ganham espaço na fruticultura irrigada
A Timbaúba passou a combinar inteligência artificial, drones e imagens de satélite para tornar o controle de pragas mais preciso no Vale do São Francisco. Segundo informações divulgadas pelo Jornal da Fruta e pela Revista da Fruta, a iniciativa envolve a startup Agrientech e busca melhorar a eficiência das pulverizações.
O projeto usa imagens captadas por drones e satélites para treinar modelos capazes de identificar áreas com pragas, doenças e estresse nas plantas. Assim, a operação deixa de tratar grandes áreas de forma uniforme e passa a mirar pontos com maior necessidade de intervenção.
Esse tipo de avanço interessa diretamente a empresas do setor FLV. Afinal, tecnologias de campo impactam custos, produtividade, rastreabilidade operacional e planejamento. Para a Iceasa, o caso reforça como dados e processos integrados ganham peso na gestão moderna do hortifrúti.
Como funciona a operação com drones
Atualmente, a Timbaúba opera com três drones de pulverização e um drone de monitoramento. A estrutura é considerada uma referência regional, conforme a publicação original.
Na prática, os equipamentos registram as áreas pulverizadas por georreferenciamento. Além disso, caso a aplicação seja interrompida para reabastecimento, o drone retorna ao ponto exato em que parou.
“Hoje não enxergamos mais a operação agrícola sem drones. Eles se tornaram uma ferramenta indispensável para garantir precisão, eficiência e rapidez no controle de pragas e doenças”, afirmou Emanuelly Gomes, coordenadora de pulverização agrícola da Timbaúba, ao Jornal da Fruta.
Ganhos operacionais relatados pela empresa
Os números divulgados indicam uma mudança relevante na capacidade operacional. Enquanto um trator pulveriza, em média, 1,5 hectare por hora, os drones podem cobrir até 12 hectares no mesmo período.
Controle operacional em pulverizações de maior escala
Além disso, a empresa informou redução de despesas nas operações de pulverização. Segundo a notícia, a economia passou a representar aproximadamente 5% dos custos anuais da fazenda.
Entre os principais ganhos relatados estão:
- maior velocidade nas aplicações;
- redução de falhas e sobreposições;
- menor uso de máquinas pesadas;
- aplicações com dosagens mínimas recomendadas em bula;
- queda no consumo de insumos, conforme o produto utilizado.
Uso de água e sustentabilidade operacional
A adoção dos drones também alterou o consumo de água nas pulverizações. Conforme os dados divulgados, uma aplicação convencional por trator usa entre 800 e 1.000 litros de água, enquanto a aplicação por drone utiliza cerca de 10 litros.
Portanto, a redução pode chegar a aproximadamente 98% no volume de água usado. Em regiões de fruticultura irrigada, esse dado ganha relevância, pois a gestão hídrica é parte central da eficiência produtiva.
Gestão hídrica e controle do uso de insumos
Outro efeito operacional foi a redução das horas-máquina. A fazenda informou queda de cerca de 40 mil para 25 mil horas dedicadas às pulverizações, o que também influencia consumo de combustível e custos.
IA identifica áreas afetadas por pragas
O próximo passo do projeto é integrar monitoramento e pulverização. Desde o ano anterior à publicação, Timbaúba e Agrientech trabalham em um sistema para detectar automaticamente áreas afetadas por pragas e doenças.
O primeiro foco foi a cigarrinha, identificada no texto original como Empoasca vitis, uma ameaça relevante para a parreira. Para isso, a equipe combinou imagens de satélite, usadas em áreas maiores, com imagens de alta resolução captadas por drones.
Após o treinamento, o modelo identificou corretamente 91,3% das plantas infestadas, segundo a empresa. Além disso, a tecnologia deverá ser treinada para reconhecer ferrugem, míldio e sinais de estresse hídrico.
O que o caso sinaliza para a gestão FLV
Embora o projeto esteja no campo, seus efeitos chegam à gestão da cadeia. Afinal, previsibilidade, produtividade e controle de custos influenciam abastecimento, planejamento de compras, formação de lotes e negociação no FLV.
Dados para compras, lotes e negociação no FLV
Além disso, a integração entre sensores, mapas e sistemas aponta para uma tendência maior: decisões baseadas em dados operacionais. Nesse contexto, soluções de gestão, como as desenvolvidas pela Iceasa para empresas do setor, ajudam a organizar informações e apoiar rotinas mais eficientes.
O caso da Timbaúba mostra que a transformação digital no hortifrúti não se limita ao escritório. Ela começa no campo, mas depende de processos bem estruturados para gerar valor ao longo da cadeia.
