Exportações elevadas mudam o tom do mercado
As exportações brasileiras de café chegaram a 4,16 milhões de sacas em agosto, recorde para o mês, segundo dados do Cecafé citados pela Hedgepoint Global Markets. O avanço foi de 31% sobre agosto de 2025. Assim, a melhora da oferta passou a pressionar os preços no curto prazo.
De acordo com o relatório, os futuros do Arábica perderam força nos últimos dias e operaram na faixa de 270 a 280 c/lb. No entanto, os estoques certificados seguem em níveis baixos. Esse fator ainda oferece algum suporte ao mercado.
Para produtores, compradores e distribuidores que acompanham o setor pelo Classifrutas, o ponto central é o equilíbrio entre oferta imediata e risco climático. Além disso, a chegada de mais café brasileiro aos destinos consumidores reduz parte da tensão vista em meses anteriores.
O que explica a pressão sobre os preços
A Hedgepoint aponta que a pressão baixista vem de uma combinação de fatores. Portanto, o movimento não depende apenas do volume embarcado pelo Brasil.
- Exportações recordes em agosto, com 4,16 milhões de sacas de café verde e industrializado.
- Embarques de café verde de 3,8 milhões de sacas, alta de 31,1% na comparação anual.
- Crescimento das exportações de Arábica para 2,8 milhões de sacas.
- Recorde nos embarques de Conilon, com 953,5 mil sacas.
- Chuvas no Brasil favorecendo o desenvolvimento inicial da safra 2027/28.
Segundo a análise, o contrato de dezembro pode seguir negociado abaixo de 280 c/lb. Por outro lado, a sustentação dos preços ainda depende dos estoques certificados e do clima nas principais origens produtoras.
“Os estoques certificados seguem nos níveis mais baixos em décadas e dão algum suporte aos preços. Ainda assim, o aumento dos estoques pendentes para classificação, o clima no Brasil e o avanço das exportações podem ampliar a pressão baixista, com o contrato de dezembro potencialmente mais perto dos 270 c/lb.”
Brasil amplia presença nos principais destinos
Os Estados Unidos e a Bélgica aparecem entre os maiores compradores de café brasileiro em agosto, conforme o relatório. Ambos receberam volumes superiores a meio milhão de sacas. Além disso, os dois países costumam estar entre os principais destinos do produto nacional.
Cotações do café diante do avanço das exportações
A Hedgepoint também cita a possibilidade de grandes empresas enviarem cerca de 300 mil sacas de Arábica para estoques certificados da ICE. Por enquanto, o relatório de estoques da ICE aponta 31,16 mil sacas de café brasileiro aguardando classificação em Antuérpia. Esse volume pode crescer nas próximas semanas.
Esse fluxo ajuda a reduzir dúvidas sobre disponibilidade imediata. Ainda assim, o mercado segue atento ao ritmo de classificação, ao destino dos lotes e à resposta dos compradores internacionais.
Clima no Brasil entra no radar da safra 2027/28
Com a safra 2026/27 praticamente concluída em agosto, a atenção mudou para a safra 2027/28. Segundo a Hedgepoint, as chuvas chegaram às regiões produtoras desde o fim de agosto. Em boa parte das áreas cafeeiras, a precipitação acumulada em setembro ficou acima da média de dez anos.
Algumas regiões de Arábica e Conilon já registraram as primeiras floradas. No entanto, o mercado ainda espera um florescimento mais amplo. Assim, o comportamento das chuvas em setembro e outubro será decisivo para avaliar o potencial produtivo.
“Apesar de ainda ser cedo para estimar a produção da safra 2027/28, a expansão da área plantada nos últimos anos, combinada às condições climáticas favoráveis até o momento, poderá compensar parcialmente os efeitos negativos do ano de baixa bienalidade do Arábica e sustentar o potencial produtivo.”
Robusta: Vietnã exporta bem, mas estoques preocupam
No mercado de Robusta, o Vietnã manteve embarques fortes em agosto. O país exportou 2,1 milhões de sacas, o maior volume para o mês em sete anos, segundo a Hedgepoint. No acumulado da safra 2025/26, os embarques chegaram a 27,7 milhões de sacas.
Ofertas de Robusta e dados de mercado do café
Apesar disso, os estoques internos estão baixos. Além disso, a possível influência do El Niño segue no radar. A consultoria informa que as chuvas no Vietnã ficaram, em geral, abaixo da média desde o início do desenvolvimento da safra 2026/27.
Portanto, o Robusta pode encontrar suporte se houver perda relevante de produção no Vietnã ou na Indonésia. Ainda assim, a Hedgepoint mantém projeção de produção vietnamita semelhante à safra anterior, em 30,5 milhões de sacas.
Mercado deve seguir sensível ao clima
O cenário atual combina oferta mais confortável no curto prazo e incertezas climáticas para as próximas safras. Dessa forma, os preços do café podem continuar reagindo a dados de exportação, estoques certificados e previsões meteorológicas.
Para agentes da cadeia, a leitura mais relevante é que o alívio de oferta não elimina os riscos. Pelo contrário, o clima nas principais origens segue como variável central para o balanço global. Por isso, acompanhar fontes setoriais e indicadores de mercado continua essencial para decisões comerciais mais bem informadas.
“O clima nas principais origens seguirá determinante para o balanço global de oferta e para a direção dos preços.”
