Bioinsumos ganham força frente ao clima extremo

Home > Blog

Bioinsumos avançam como resposta ao risco climático

Bioinsumos na agricultura foram apontados por pesquisadores no BioSummit 2026 como ferramentas relevantes para reduzir emissões, melhorar o uso da água e ampliar a resiliência das lavouras diante de secas, calor e eventos extremos.

O debate, realizado em Campinas (SP), reuniu especialistas que relacionaram mudanças climáticas, biodiversidade microbiana e controle biológico. Além disso, o tema ganha peso para produtores e compradores de hortifrutigranjeiros, já que o clima interfere diretamente em oferta, qualidade e regularidade de entrega.

Segundo informações divulgadas pelo Jornal da Fruta com base na Embrapa, o pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente, destacou que microrganismos benéficos ajudam a equilibrar sistemas agrícolas. Portanto, sua preservação pode contribuir para lavouras mais preparadas a períodos de estresse.

Por que o tema importa para o FLV

No setor de frutas, legumes e verduras, a instabilidade climática costuma afetar produtividade, padrão comercial e perdas no campo. Assim, práticas que apoiam o manejo de doenças e o uso mais eficiente da água tendem a ganhar atenção.

Entre os pontos destacados no evento, os bioinsumos aparecem associados a três frentes principais:

  • maior equilíbrio biológico do solo e das plantas;
  • apoio ao manejo de doenças e vetores em cenários de calor;
  • redução de impacto ambiental quando comparados a parte dos insumos químicos.

Para quem acompanha mercado e abastecimento pelo Classifrutas, esse movimento também ajuda a entender mudanças na forma de produção. No entanto, os efeitos variam conforme cultura, região, manejo e pressão climática.

Cotações de FLV em culturas com manejo por bioinsumos

Emissões e biodiversidade microbiana

Um dos dados apresentados por Bettiol comparou emissões associadas à produção de insumos. Segundo o pesquisador, 1 quilo de defensivo químico pode emitir de 20 a 25 quilos de CO2 equivalente.

1 quilo de bioinsumo, conforme a mesma apresentação, gera de 3 a 5 quilos de CO2 equivalente. Portanto, a diferença reforça o interesse por alternativas biológicas dentro de estratégias de menor impacto ambiental.

O pesquisador também informou que o Brasil possui 277 produtos biológicos registrados com uso de apenas duas cepas de microrganismos. Para ele, isso indica espaço para ampliar o aproveitamento da biodiversidade microbiana nacional.

Calor pode elevar pressão de doenças

As mudanças climáticas também podem alterar a dinâmica de doenças no campo. De acordo com Bettiol, temperaturas mais altas tendem a encurtar o ciclo de vetores, aumentar sua atividade e favorecer a disseminação de patógenos.

Ofertas de FLV em regiões com maior pressão de doenças

O pesquisador citou casos como o enfezamento do milho, associado a vírus e molicutes transmitidos por vetores. Embora o exemplo venha de uma cultura de grãos, o alerta é relevante para cadeias hortifrutícolas, pois pragas e doenças também respondem a variações de clima.

Controle biológico além do combate a doenças

No mesmo evento, o professor Carlos Alexandre Cruciol, da Unesp, afirmou que agentes de biocontrole podem atuar além do controle direto de patógenos. Assim, eles também podem ajudar plantas a enfrentar estresses abióticos.

Entre os exemplos citados estão:

  • bactérias do gênero Bacillus, associadas ao apoio contra estresses abióticos;
  • fungos do gênero Trichoderma, com melhor resposta em condições de déficit hídrico;
  • microrganismos benéficos que favorecem equilíbrio e eficiência fisiológica das plantas.

Essas aplicações não eliminam a necessidade de manejo técnico. Porém, ampliam o conjunto de ferramentas disponíveis em um cenário de maior risco climático.

Adoção cresce, mas exige leitura técnica

A jornalista especializada em agro Renata Maron informou no BioSummit que a área potencial tratada com bioinsumos no Brasil chegou a cerca de 194 milhões de hectares em 2025. Além disso, a taxa de adoção teria passado de 22% para 47% em cinco anos.

Mercado de culturas com avanço no uso de bioinsumos

O avanço mostra maior interesse do campo por soluções biológicas. Ainda assim, resultados dependem de fatores como qualidade do produto, armazenamento, momento de aplicação, assistência técnica e compatibilidade com o manejo adotado.

Para o setor FLV, a principal leitura é que bioinsumos e controle biológico devem seguir no centro das discussões sobre clima, produtividade e sustentabilidade. Dessa forma, produtores, distribuidores e compradores podem acompanhar melhor os impactos dessas práticas na oferta e na qualidade dos alimentos.

Post anterior
Próximo post

© 2026 ICEASA. Todos os direitos reservados.

ICEASA — a inteligência que faz o hortifruti girar