Gestão pós-colheita reduz perdas no armazenamento

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Gestão pós-colheita ganha peso na qualidade dos grãos

A Conferência Brasileira de Pós-Colheita reunirá especialistas, cooperativas e profissionais do agro entre 12 e 14 de agosto, em Carambeí (PR), para discutir qualidade, secagem, armazenamento e monitoramento de grãos.

Segundo reportagem da Campo & Negócios, o evento é promovido pela ABRAPOS, em conjunto com as cooperativas Capal, Frísia e Castrolanda. Além disso, a programação ocorre em um contexto de maior exigência por rastreabilidade, sustentabilidade e padronização da produção agrícola.

Embora o foco técnico esteja nos grãos, o tema traz aprendizados relevantes para operações com perecíveis. Afinal, em cadeias como FLV, a eficiência na recepção, classificação, armazenagem e controle de perdas também depende de processos bem definidos e informações confiáveis.

Qualidade depende de decisões antes e depois da colheita

A preservação da qualidade não começa no armazém. Ela depende de decisões tomadas ao longo de todo o ciclo produtivo, desde o manejo da lavoura até o transporte e a entrada nas unidades armazenadoras.

Na reportagem, Alessandro Bueno, coordenador de Unidade de Grãos da Frísia Cooperativa Agroindustrial, destacou a importância do planejamento técnico.

“O planejamento e o manejo correto na pré-colheita, como o monitoramento do ponto de maturação e a dessecação planejada, aliados a processos como secagem gradual e aeração controlada nos silos, são essenciais para manter a qualidade da produção.”

Alessandro Bueno, Frísia Cooperativa Agroindustrial, à Campo & Negócios

Portanto, a etapa pós-colheita não deve ser vista como atividade isolada. Ela faz parte de uma cadeia operacional que envolve padrão de recebimento, controle de umidade, segregação, movimentação e armazenamento.

Tecnologia fortalece a gestão do armazenamento

Um dos pontos centrais da conferência será o uso de tecnologia para elevar a eficiência operacional. De acordo com a Campo & Negócios, cooperativas têm investido em secadores modernos e sistemas integrados de monitoramento.

Carlos Faria, coordenador de Operações de Grãos da Capal Cooperativa Agroindustrial, explicou que a operação não melhora a qualidade original do campo. No entanto, ela pode evitar perdas relevantes quando controla os fatores de risco.

“Na operação, sabemos que não conseguimos melhorar a qualidade original do campo nem aumentar a quantidade produzida. Mas, se não controlarmos os fatores que provocam perdas, podemos gerar grandes prejuízos.”

Carlos Faria, Capal Cooperativa Agroindustrial, à Campo & Negócios

Além disso, o tempo de espera de caminhões e cargas aparece como fator crítico. Quanto maior a demora na recepção, maior pode ser a exposição a problemas ligados a umidade, impurezas e perda de peso.

Classificação orienta secagem, armazenagem e segregação

A classificação dos grãos na chegada às unidades é outro tema relevante. Segundo Pâmela Ahlert, coordenadora de qualidade da Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, essa etapa ajuda a definir o melhor manejo para cada lote.

“É essencial identificar as avarias, verificar se o grão está esverdeado e conhecer seus níveis de umidade e impurezas. Com essas informações conseguimos definir a melhor estratégia de secagem e armazenamento.”

Pâmela Ahlert, Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, à Campo & Negócios

Na prática, a classificação permite separar lotes por condição e risco. Assim, a operação ganha mais previsibilidade e reduz a chance de misturar produtos com padrões diferentes.

Entre os pontos operacionais mais citados no debate estão:

  • identificação de avarias no recebimento;
  • controle de umidade e impurezas;
  • segregação de lotes conforme padrão de qualidade;
  • definição da estratégia de secagem;
  • monitoramento contínuo das condições de armazenagem.

Sistemas inteligentes ampliam a visibilidade da operação

Nos últimos anos, plataformas digitais passaram a integrar dados de diferentes unidades armazenadoras. Com isso, gestores conseguem acompanhar silos, cargas e indicadores em uma estrutura mais centralizada.

Esse tipo de visibilidade operacional também é importante para empresas de distribuição e atacado. Em operações de FLV, por exemplo, sistemas de gestão ajudam a organizar recebimento, estoque, rastreabilidade, faturamento e giro de produtos.

Nesse contexto, a Iceasa acompanha a evolução da gestão no setor hortifrutigranjeiro com foco em processos, dados e produtividade. Portanto, debates sobre pós-colheita reforçam uma tendência ampla: operações mais eficientes dependem de informação atualizada e controle operacional.

Evento reforça busca por eficiência e redução de perdas

A Conferência Brasileira de Pós-Colheita será realizada simultaneamente ao XIII Simpósio Paranaense de Pós-Colheita de Grãos. A programação inclui painel e palestras sobre qualidade durante o armazenamento.

Segundo a Campo & Negócios, o encontro reunirá pesquisadores, técnicos, produtores, cooperativas e empresas. Além disso, a pauta dialoga com a relevância das exportações brasileiras de soja, que, conforme dado citado da Anec, devem somar 86,08 milhões de toneladas entre janeiro e julho, cerca de metade da produção estimada pelo IBGE.

Assim, a discussão vai além do armazenamento de grãos. Ela evidencia como gestão, tecnologia e padronização são fatores decisivos para preservar qualidade, reduzir perdas e sustentar operações mais competitivas no agro.

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