Transição tributária exige atenção da gestão no agro
A Reforma Tributária no agro deve alterar a gestão fiscal de empresas ligadas à distribuição e comercialização, com efeitos graduais sobre preços, processos e controles internos.
O tema foi debatido no 15º Congresso Andav, em São Paulo, segundo notícia publicada pela Campo & Negócios. O evento reuniu profissionais da distribuição de insumos agropecuários e discutiu impactos da mudança tributária sobre a cadeia produtiva.
Embora a pauta tenha foco em insumos, o alerta é relevante para empresas do setor FLV. Afinal, atacadistas, distribuidores e varejistas lidam diariamente com margens apertadas, notas fiscais, cadastros tributários e formação de preço.
O que muda com o Convênio ICMS 100/97
Um dos pontos centrais do debate foi o Convênio ICMS 100/97, mecanismo do Confaz que reduz a base de cálculo do ICMS em operações com determinados insumos agropecuários.
De acordo com a reportagem da Campo & Negócios, o tributarista Lucas Ribeiro afirmou que o convênio permanece nas condições atuais até 2027 e poderá ser prorrogado até 2032. A partir de 2029, haveria redução gradual do benefício até seu encerramento em 2033.
Gestão fiscal para acompanhar mudanças de benefícios
Assim, a transição não tende a ser imediata. No entanto, ela pode exigir planejamento fiscal, revisão de cadastros e maior integração entre áreas comerciais, financeiras e contábeis.
Por que o tema importa para empresas de FLV
No setor de frutas, legumes e verduras, a tributação influencia diretamente a precificação, a margem e a emissão correta de documentos fiscais. Além disso, mudanças graduais podem aumentar o risco de divergências se os processos forem manuais ou pouco padronizados.
Entre os pontos que merecem acompanhamento na gestão, estão:
- cadastro fiscal de produtos, fornecedores e clientes;
- parametrização de alíquotas, benefícios e regras por operação;
- impacto das mudanças na formação de preços;
- conciliação entre compras, vendas, estoque e emissão de notas;
- integração entre contabilidade, financeiro e operação comercial.
Portanto, a Reforma Tributária não deve ser vista apenas como um tema jurídico. Ela também envolve processos, tecnologia e qualidade da informação operacional.
Complexidade inicial foi destacada no congresso
Durante o evento, especialistas apontaram que a transição poderá exigir ajustes na estratégia comercial das empresas do agronegócio. A advogada Jaqueline Hara, da Agro Hara, resumiu o desafio em uma fala citada pela Campo & Negócios:
“A mudança vai simplificar o ambiente fiscal, mas, no início, haverá muita complexidade”.
Essa complexidade inicial tende a pressionar empresas que ainda dependem de planilhas, lançamentos duplicados ou controles fiscais descentralizados. Por outro lado, operações com dados organizados tendem a ganhar mais clareza para acompanhar a transição.
Controles fiscais menos dependentes de planilhas
Gestão fiscal depende de processos bem definidos
Para empresas de FLV, a adaptação passa por uma visão prática da rotina. Não basta acompanhar a legislação. Também é necessário entender como cada mudança chega ao pedido, à nota fiscal, ao estoque e ao preço final.
Nesse contexto, sistemas de gestão voltados ao setor, como os utilizados por clientes da Iceasa, ajudam a centralizar informações e reduzir retrabalho. A tecnologia, porém, precisa caminhar junto com processos revisados e dados confiáveis.
Além disso, a integração entre áreas será cada vez mais importante. Comercial, fiscal, financeiro e compras precisam operar com a mesma base de informação para evitar decisões desalinhadas.
O próximo passo é acompanhar a transição
A Reforma Tributária ainda terá fases de regulamentação e adaptação. Por isso, empresas do agro e do setor FLV devem acompanhar fontes oficiais, comunicados contábeis e orientações setoriais.
Dados organizados para seguir a transição tributária
O debate no Congresso Andav mostra que a mudança vai além do cumprimento fiscal. Ela pode afetar modelos de negócio, margem, competitividade e eficiência operacional ao longo dos próximos anos.
Assim, a gestão tributária tende a ganhar peso estratégico. Para atacadistas, distribuidores e varejistas de FLV, informação organizada será parte essencial da tomada de decisão.
