Exportação de frutas exige rastreabilidade

Home > Blog

Mercado internacional eleva exigências para a fruta brasileira

A exportação de frutas brasileiras enfrenta uma nova etapa de exigências no mercado internacional, com compradores mais atentos à rastreabilidade, sustentabilidade, segurança dos alimentos e regularidade de oferta.

Segundo informações publicadas pelo Notícias Agrícolas, esses temas estarão no centro das discussões da participação brasileira na Fruit Attraction Madrid, feira internacional de frutas e hortaliças realizada de 6 a 8 de outubro, na Espanha.

A presença do Brasil ocorre por meio do projeto Frutas do Brasil, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados, a Abrafrutas, em parceria com a ApexBrasil. Além disso, a feira deve servir como ambiente de prospecção e leitura de mercado.

Qualidade continua essencial, mas já não basta

A qualidade da fruta segue como condição básica para acessar mercados externos. No entanto, compradores internacionais passaram a avaliar também como a produção é conduzida, quais controles são usados e como a cadeia comprova conformidade.

Entre os pontos que ganham peso nas negociações estão:

  • rastreabilidade da origem da fruta;
  • práticas de sustentabilidade no campo e na embalagem;
  • segurança dos alimentos e controle fitossanitário;
  • regularidade de oferta ao longo do calendário comercial;
  • eficiência logística e cumprimento de prazos.

Para o presidente da Abrafrutas, Waldyr Promicia, conhecer essas exigências de perto é decisivo para a fruticultura brasileira ampliar espaço no exterior.

O mercado internacional está mais exigente e o produtor brasileiro precisa estar preparado para atender essas demandas. A qualidade da fruta continua sendo essencial, mas hoje o comprador também quer conhecer a origem do produto, como ele foi produzido e quais práticas estão envolvidas em toda a cadeia. A Fruit Attraction é uma oportunidade importante para entender essas mudanças e aproximar o Brasil dos mercados que buscam nossa produção. — Waldyr Promicia, presidente da Abrafrutas

Sustentabilidade e conformidade ganham força na Europa

A Europa aparece como um dos mercados mais relevantes e exigentes para empresas brasileiras exportadoras. Conforme a reportagem, a Comercial e Exportadora de Frutas Don Vicente tem clientes na Europa, Inglaterra e também já realizou embarques ao Canadá.

Ofertas de frutas brasileiras acompanhadas pelo setor FLV

Na prática, a adaptação passa por controles que vão além da fruta em si. Assim, embalagens, documentos, certificados e requisitos sanitários passam a compor a rotina comercial de quem exporta.

A coordenadora de logística da empresa, Tainá Morato, destacou que novas normas europeias ampliam a necessidade de comprovação por parte dos exportadores.

A União Europeia está mais exigente. Há uma nova norma sobre sustentabilidade em que os nossos fornecedores de embalagem têm de atender a padrões que não utilizam compostos químicos prejudiciais ao meio ambiente. Todos os exportadores precisam de apresentar documentação a comprovar essa conformidade. Além disso, recentemente passámos a ter de adicionar mais um artigo no certificado fitossanitário para comprovar a qualidade da fruta e garantir que ela está livre de determinadas doenças. — Tainá Morato, coordenadora de logística da Don Vicente

Feiras internacionais ajudam a mapear compradores

A participação em eventos globais, como a Fruit Attraction Madrid, também ajuda produtores e exportadores a acompanhar concorrentes e entender a dinâmica de compra em diferentes destinos. Além disso, esses encontros aproximam empresas brasileiras de armadores, operadores logísticos e compradores.

Conexões com compradores e operadores do mercado de frutas

Segundo a representante da Don Vicente, a feira reúne clientes e profissionais estratégicos em um mesmo ambiente. Portanto, o evento permite avaliar novas rotas, condições de embarque e possibilidades de expansão comercial.

Na pauta dos exportadores, aparecem destinos como Ásia, Canadá e Rússia, além dos mercados já atendidos. No entanto, a viabilidade de cada rota depende de exigências sanitárias, logística, demanda, custos e regularidade de fornecimento.

Diversificação reduz dependência de mercados específicos

A busca por novos compradores é uma estratégia relevante para reduzir a concentração das vendas externas em poucos destinos. Por outro lado, cada mercado apresenta padrões próprios de documentação, qualidade e apresentação do produto.

De acordo com a Abrafrutas, a presença brasileira na feira será usada também para ouvir produtores e reunir informações sobre:

  • mercados que estão no radar das empresas brasileiras;
  • frutas com maior interesse por parte dos compradores;
  • exigências técnicas e comerciais mais frequentes;
  • barreiras relacionadas a logística e certificações;
  • oportunidades de expansão das exportações brasileiras.

Esse tipo de leitura é importante para o setor FLV porque conecta produção, comércio e logística. Além disso, ajuda empresas da cadeia a compreender mudanças que podem influenciar negociações futuras.

Leitura de mercado para frutas em negociação no FLV

O que muda para produtores e compradores de FLV

O avanço das exigências internacionais indica que a competitividade da fruta brasileira dependerá cada vez mais de organização da cadeia. Assim, origem comprovada, documentação correta e previsibilidade comercial tendem a ganhar espaço nas negociações.

Para quem acompanha o mercado pelo Classifrutas, o movimento reforça uma tendência clara: a comercialização internacional de frutas não é determinada apenas por volume e preço. Cada vez mais, compradores observam critérios de confiança, conformidade e capacidade de entrega.

Portanto, a presença brasileira em feiras internacionais funciona como termômetro de mercado. Ela também ajuda a identificar como os compradores enxergam a fruta nacional em um ambiente global mais competitivo.

Post anterior
Próximo post

© 2026 ICEASA. Todos os direitos reservados.

ICEASA — a inteligência que faz o hortifruti girar