Exportação de frutas brasileiras avança no semestre
A exportação de frutas brasileiras somou 498.915 toneladas no primeiro semestre de 2026, alta de 29,2% frente ao mesmo período de 2025, segundo números da Datamar citados pelo Notícias Agrícolas.
O avanço considera embarques em contêineres e em navios frigoríficos convencionais, conhecidos como reefers. Portanto, o desempenho mostra uma expansão mais ampla do que a leitura isolada da carga conteinerizada.
Em contêineres, o Brasil exportou 36.552 TEUs de frutas entre janeiro e junho de 2026. O volume representa crescimento de 20,4% em relação ao primeiro semestre do ano anterior. Em 2025, as exportações conteinerizadas somaram 80.179 TEUs no ano fechado.
Principais frutas exportadas em contêineres
De acordo com o levantamento da Datamar, três grupos concentraram o núcleo dos embarques conteinerizados no semestre. Além disso, esses produtos reforçam a importância da fruticultura irrigada e da regularidade logística para atender janelas internacionais de demanda.
- Melões e melancias: 9.825 TEUs no primeiro semestre de 2026.
- Mangas: 9.399 TEUs no mesmo período.
- Limões e limas: 8.849 TEUs embarcados.
Essas frutas têm forte conexão com o mercado europeu. No entanto, cada categoria responde a dinâmicas próprias de safra, qualidade, câmbio, frete e exigências comerciais.
Cotações e ofertas de melão, manga e limão no FLV
Europa segue como principal destino
Os dados por destino indicam forte concentração comercial. Os Países Baixos receberam 20.321 TEUs de frutas brasileiras, ou 55,6% do total capturado pelo DataLiner no primeiro semestre.
A Espanha ficou em segundo lugar, com 5.499 TEUs e 15,1% de participação. Em seguida, o Reino Unido recebeu 5.218 TEUs, equivalentes a 14,3% do total.
Juntos, Países Baixos, Espanha e Reino Unido responderam por cerca de 85% das exportações brasileiras de frutas em contêineres. Assim, a Europa permanece como eixo central para a comercialização externa do setor.
“A Europa é há muito tempo um parceiro comercial muito importante para a fruticultura brasileira. Uma das grandes vantagens do Brasil é a complementaridade das safras: em produtos como melão, manga e uva, conseguimos abastecer o mercado europeu justamente em períodos de menor oferta local”, afirmou Andrew Lorimer, CEO da Datamar, ao Notícias Agrícolas.
Navios reefers ganham peso nos embarques
Além dos contêineres, o Brasil exportou 48.846 toneladas de frutas em navios frigoríficos convencionais no primeiro semestre de 2026. Segundo a Datamar, esse modal respondeu por cerca de 10% das exportações marítimas de frutas no período.
Esse dado é relevante porque mostra diversificação logística. Por outro lado, também reforça a necessidade de planejamento comercial, cadeia fria eficiente e integração entre produtores, exportadores, operadores e compradores.
“O crescimento não está restrito ao transporte em contêineres. Nossos dados indicam que, no primeiro semestre, cerca de 10% das exportações marítimas de frutas foram transportadas em navios reefer convencionais”, destacou Lorimer.
O que o crescimento indica para o mercado FLV
Para o mercado de frutas, legumes e verduras, o resultado reforça a força da demanda externa em 2026. Além disso, sinaliza que a combinação entre oferta brasileira, calendário de safra e janelas internacionais segue favorecendo algumas culturas.
Acompanhamento do mercado FLV nas janelas de exportação
No entanto, a concentração em poucos destinos também exige atenção. Mudanças em exigências fitossanitárias, custos logísticos, câmbio ou consumo europeu podem afetar negociações e margens ao longo da temporada.
Para quem acompanha negociações no setor, plataformas como o Classifrutas ajudam a observar movimentos de oferta, procura e oportunidades comerciais no mercado FLV. Nesse contexto, dados de exportação funcionam como referência para entender pressões sobre disponibilidade e preços internos.
Perspectiva para o segundo semestre
A Datamar avalia que os números provisórios estão alinhados às estatísticas oficiais do Comex Stat. Além disso, o segundo semestre tende a ser decisivo para frutas com maior concentração de embarques nessa etapa do ano.
Portanto, o desempenho final de 2026 dependerá da evolução da safra, da logística internacional e da demanda nos principais mercados compradores. Ainda assim, os dados do primeiro semestre colocam a exportação de frutas brasileiras em ritmo forte no ano.
